Serena balançou a cabeça. Embora não estivesse tão bêbada quanto Mariana, sentia-se um pouco tonta e com os membros fracos.
— Vocês... é melhor ligarem para o Xande primeiro e dizerem para ele parar imediatamente. Eu não sou alguém que ele possa provocar. — Enquanto falava, ela observava discretamente ao redor, esperando que algum pedestre passasse e chamasse a polícia.
Mas, àquela hora da manhã, em uma área de boates, não havia viva alma.
— Nós só somos pagos para bater, não para dar recados.
Os dois disseram isso e se aproximaram de Serena, fechando os punhos.
Serena cerrou os dentes. Eram dois homens grandes e fortes, mas se ela lutasse com garra, talvez não levasse a pior. Pensando assim, perdeu o medo e estava prestes a atacar quando percebeu que, de um beco lateral, surgiram mais dois.
Eram igualmente altos, fortes e com cara de poucos amigos.
— Aquele cachorro do Xande, mandou quatro homens para bater em uma única mulher!
Ele a estava superestimando demais.
— Não resista, apenas aceite a surra quietinha, assim pegaremos mais leve.
Serena pensou: "Ferrou". Contra quatro, ela com certeza sairia perdendo, e muito. Se soubesse disso, não teria saído para curtir com a Mariana ontem à noite, afinal, ali ainda era o território do Xande.
Vendo os quatro brutamontes se aproximando, e quando Serena já começava a se desesperar, um Maybach preto parou de repente na beira da estrada. Em seguida, Felipe desceu do carro.
Ele não olhou para os quatro homens, apenas lançou um olhar irritado para Serena e caminhou em sua direção enquanto falava ao telefone.
Quando chegou perto, ele desligou.
— Vo... você, o que está fazendo aqui? — Serena estava surpresa.
Felipe estreitou os olhos.
— Não foi você quem me ligou ontem à noite?
Serena ficou confusa de verdade. No meio da bebedeira, ela parecia ter ligado para Felipe e contado por alto o que tinha acontecido durante o dia.
Ah, é verdade, ela ligou para contar que havia contratado a Mariana.
— E aí você veio?
— Ei, vocês vão ficar de papo aí? Estão nos ignorando?
— Pra que tanta conversa? Vamos bater logo e acabar com isso.
Os quatro concordaram e, esfregando as mãos, prepararam-se para avançar. Mas, nesse exato momento, o celular de um deles tocou.
Ele atendeu e xingou:
— Você está de brincadeira com a gente?
A outra pessoa disse mais alguma coisa, e a expressão dele mudou de sombria para aliviada.
— Não fazer nada e receber o dinheiro? Claro que aceitamos.
Ele desligou o telefone e olhou para Felipe. Percebendo que aquele homem não era alguém com quem se devia mexer, fez um gesto de respeito.
— Foi mal aí. Somos pagos para fazer o serviço, mas que bom que o mal-entendido foi resolvido. O senhor é generoso, por favor, não leve a mal.
Dito isso, ele e os outros três saíram correndo.

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