— A Thais molhou a roupa sem querer enquanto cozinhava, então eu disse para ela vestir uma das suas — explicou Xande, segurando Thais e olhando para Mariana. — Ela só vestiu por um momento, por que você está tão brava?
Mariana ficou sem reação diante daquilo, mas Serena assumiu.
— Isso é roupa de ficar em casa, se usa em contato direto com a pele. E se ela tiver alguma doença? Ser usada por ela... que nojo — disse Serena com uma expressão de repulsa.
— Vo-você está dizendo que eu tenho doença? Você é excessiva! — Thais se desesperou.
— Eu só disse que roupas de casa são itens muito pessoais. Qualquer pessoa com o mínimo de noção não vestiria as roupas dos outros.
— Srta. Luz, você...
— Diretor Neves, você não dividiria a mesma cueca com outra pessoa, dividiria?
— ...
Serena fez um bico de desdém.
— Se realmente tivessem esse tipo de fetiche, aí seria perversão.
— Querida, que tipo de pessoa você trouxe para casa? Olha como ela fala de jeito horrível! — Xande finalmente perdeu a paciência.
Mariana ficou com o rosto sério.
— A Srta. Luz é minha amiga, por favor, respeite-a!
— Você não ouviu o que ela disse?
— E qual frase dela estava errada?
Xande respirou fundo várias vezes para se acalmar.
— Esquece, não quero brigar com você hoje.
Thais puxou Xande de forma fingida.
— Ontem foi minha culpa por não ter confirmado repetidamente, foi uma falha minha no trabalho. É justo que a Sra. Araujo esteja brava comigo.
— Você começou a trabalhar há pouco tempo, falta experiência, erros são inevitáveis.
— Mas a Sra. Araujo está muito brava.
— Buááá, Sra. Araujo, me desculpe, não fique brava com o Xande, a culpa é toda minha. — Thais começou a chorar, como se fosse a criatura mais inocente e digna de pena do mundo.
O problema era que o pedido de desculpas era tão falso que Serena não aguentou.
— O casal está brigando, o que isso tem a ver com você? Se gosta tanto de chorar, vai chorar para a sua mãe!
Mariana sentiu que aquilo era insuportável e puxou Serena para ir embora, mas foi segurada por Xande.
Ele suspirou profundamente.
— O meu orientador me confiou a Thais para que eu cuidasse dela. Você sabe que eu devo muito a ele, não posso desapontá-lo. De qualquer forma, essa criança já sabe que errou, então não fique mais brava, perdoe-a desta vez.
— Ora, então ela ainda é uma criança... — Serena balançou a cabeça, estalando a língua. — Então, Diretor Neves, no fundo você a trata como uma filha?
— Eu não disse...
Serena segurou Mariana.
— A filha já pediu desculpas para você. Como mãe, perdoe-a.

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