Um a um, os olhares da multidão mudaram de dúvida e desdém para admiração e surpresa.
Até o segurança, que havia caído de joelhos, contorcendo-se de dor e sem conseguir falar, ficou paralisado.
— Cof... Cof... —
Depois de várias inspirações profundas de ar fresco, a consciência da senhora idosa foi voltando aos poucos.
— Moça...
Ela estendeu a mão e segurou a de Helen. Ao perceber que Helen também era dracoviana, seus olhos se iluminaram e ela imediatamente falou em dracoviano:
— Boa menina... obrigada. Você salvou minha vida...
Helen baixou o olhar para a mão que apertava a sua, fria ao toque.
Seus olhos se voltaram para o rosto elegante e digno da senhora.
Talvez por serem ambas dracovianas em terra estrangeira, Helen achou os traços da mulher vagamente familiares.
— Não há de quê — respondeu Helen suavemente. — Senhora, você tem um histórico sério de problemas cardíacos. Não deveria se emocionar tanto.
— Estou bem, estou bem. Agora me sinto ótima — disse a senhora, o rosto transbordando gratidão após escapar da morte. — Jamais imaginei que seria salva aqui por uma compatriota. Deve ser o destino.
Quanto mais olhava para Helen, mais simpatia sentia.
— Moça, qual é seu nome? Você me salvou, e eu moro naquele asilo ali. Venha comigo. Quero que minha família lhe agrade como merece.
Helen olhou para a ambulância que se aproximava à distância e sorriu de leve.
— Não precisa. Não foi nada.
— Isso não pode! Você salvou minha vida. Preciso agradecer de alguma forma — insistiu a senhora. Enquanto falava, tirou uma pulseira de jade verde do pulso e a colocou na mão de Helen.
— Filha, este é meu presente de gratidão. Aceite, por favor.
A pulseira era claramente muito valiosa.
Suspiros suaves se espalharam pela multidão.
Mas Helen ergueu a mão e devolveu delicadamente, soltando o aperto da senhora enquanto guardava calmamente o estojo de agulhas em sua bolsa de lona.
— De verdade, não precisa — disse Helen, fechando o zíper da bolsa e colocando-a no ombro. — Eu ajudei porque você é dracoviana.
A senhora ficou imóvel por um instante.
Só depois de os médicos confirmarem que não havia problemas graves, uma enfermeira a acompanhou de volta ao quarto.
Assim que entrou, viu Wendy, vestida com um elegante vestido de dama, sentada obediente ao lado da cama, massageando suavemente as pernas de Harvey.
— Vovó Minerva! — Wendy se levantou apressada ao vê-la, o rosto tomado de preocupação. — Fabian me contou que você quase sofreu um acidente lá fora. Fiquei tão assustada.
Os olhos estavam levemente vermelhos, a expressão cheia de medo ainda recente.
— Queria ir vê-la na hora, mas os médicos disseram que você ainda estava em exames e não deixaram eu ir junto.
Harvey, que estava sério, se endireitou imediatamente. Não disse nada, mas a preocupação nos olhos era evidente.
— Estou bem — disse Minerva, sorrindo alegre ao segurar a mão de Wendy. — Graças a uma jovem maravilhosa que salvou minha vida.
No instante em que mencionou a garota, seu rosto se iluminou de entusiasmo.
— Eu estava passeando numa rua comercial próxima, pensando em comprar presentes para você e para minha neta, que ainda não conheço. Então meu coração disparou de repente. Nem tive tempo de tomar o remédio. Por sorte, uma jovem apareceu e me aplicou algumas agulhas, e fiquei bem na hora, muito mais eficaz do que aqueles médicos cheios de aparelhos!
— Que médica milagrosa? Para mim parece que você saiu por aí e foi enganada por alguma vendedora de suplementos — disse Harvey, um toque de impotência atravessando o semblante digno.
— Não sou tão ingênua assim — retrucou Minerva, lançando um olhar severo ao marido. Então, animada, começou a contar como escapou da morte e como aquela garota dracoviana a trouxe de volta com algumas agulhas de prata.

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