Quanto mais falava, mais animada Minerva ficava, suas palavras transbordando carinho por aquela garota.
Wendy tentou várias vezes interromper de lado, mas não conseguiu conter os elogios incessantes de Minerva àquela jovem desconhecida.
O sorriso de Wendy permanecia doce e obediente, mas ao baixar os cílios, a inveja fervilhava em seus olhos sem controle.
Ela e Minerva não se viam há anos.
Wendy tinha enfrentado tantos obstáculos para voar até Merísia, e ainda estava doente!
E, mesmo assim, ao reencontrá-la, não ouviu sequer uma palavra de preocupação.
Tudo girava em torno de outra garota!
E ainda por cima... habilidades médicas, agulhas de prata, isso e aquilo!
Na mente de Wendy, o rosto orgulhoso de Helen surgiu involuntariamente.
Seu coração afundou pesado.
Não podia ser tanta coincidência, certo?
Não! De jeito nenhum!
Aquela caipira da Helen, sozinha em um país estrangeiro, sem falar o idioma, ainda insistindo em se exibir diante de Fabian...
Como ela poderia encontrar o asilo?
Não há como as coisas serem tão coincidentes!
Wendy conteve o ciúme nos olhos e manteve sua imagem doce e comportada.
Só quando Minerva já estava rouca de tanto falar, finalmente parou.
Wendy, então, ofereceu delicadamente um copo de água morna.
Ao ver Wendy, Minerva pareceu finalmente se dar conta de que sua neta tinha viajado milhares de quilômetros desde Dracóvia para estar ali com eles.
Apressada, pegou o copo e apertou a mão de Wendy com a outra. "Ai, veja só — quando fico animada, esqueço de tudo."
Depois de alguns goles, colocou o copo de lado e puxou Wendy para a sala de estar. De uma pilha de sacolas de luxo recém-entregues, pegou uma e entregou à neta.
"Wendy, este é um presente que a vovó preparou especialmente para você e para aquela garota, Helen," disse Minerva, olhando novamente para Wendy. "Aliás, onde está Helen? Por que ainda não chegou?"
Wendy olhou para o presente.
Era um broche de edição limitada, provavelmente valendo cerca de um milhão.
O que ela quis dizer com isso?
Minerva afagou as costas da mão de Wendy, o tom suavizando um pouco. "Wendy, não dê ouvidos às bobagens de Fabian. Aquela é filha de Becca. Confio que Becca a educou bem, assim como fez com você."
Wendy forçou um sorriso. "Sim, minha irmã é uma boa menina."
Ela já tinha pressionado tanto Minerva, e mesmo assim, a avó continuava defendendo Helen!
Que tipo de encanto Helen tinha?
Minerva nem sequer a conhecia, mas confiava em seu caráter — e ainda questionava o mordomo que cuidava da família há décadas!
Wendy ficou tão irritada que o peito doía.
Seus olhos se moveram discretamente enquanto falava num tom casual: "Falando nisso, Helen também gosta de usar esses remédios simples que aprendeu no interior para aplicar agulhas nas pessoas."
Enquanto falava, observava atentamente a expressão dos avós e continuou: "Mas as habilidades médicas dela não se comparam ao médico milagroso que acabou de salvar você, vovó Minerva. Na última festa dos Garcia, o Sr. Hugh tinha só um problema leve, e havia médicos presentes. Eu até pensei em ir ajudar...
"Mas Helen insistiu em correr para aplicar agulhas no Sr. Hugh, e no fim, ele acabou indo direto para o hospital."
Nesse momento, Wendy suspirou. "Por sorte, o Sr. Hugh ficou bem e foi generoso, não quis levar o caso adiante. Caso contrário..."
Wendy pareceu ficar um pouco assustada ao falar. Rapidamente segurou a mão de Minerva, o rosto cheio de preocupação sincera. "Vovó Minerva, não é que eu não confie na medicina tradicional de Dracóvia. Só estou preocupada... Afinal, aqui é Merísia. Os médicos e equipamentos daqui são os mais respeitados. E se a pessoa que você conheceu hoje fosse uma fraude? E se aquelas agulhas de prata não estivessem limpas, ou fossem aplicadas de forma errada?"

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