A habitual postura serena de Félix começou a se estilhaçar, revelando um choque e um medo que ele nunca mostrava a ninguém.
Ele temia que a imagem à sua frente fosse uma alucinação, e que, num piscar de olhos, percebesse ser apenas alguém parecida com ela.
Nesta época de clima instável, Celina vestia apenas um conjunto de algodão fino e mal ajustado, com os cabelos penteados às pressas parecendo um tanto bagunçados.
Diante dos traficantes, ela não chorou; diante da cruel família de Odete, ela também não chorou. Mas, ao ver Félix, toda a força que ela tentava manter desmoronou de repente, e as lágrimas encheram seus olhos instantaneamente.
O queixo de Félix exibia uma sombra escura de barba por fazer, e sob seus olhos havia olheiras de exaustão e veias vermelhas de noites mal dormidas. Ele levantou a mão para cobrir os olhos e depois a tirou.
Não era uma alucinação.
Ele deu um passo largo, abraçou-a, girou rapidamente e sem ruído desde a porta, parando apenas no canto noroeste, o mais distante possível.
Celina começou a chorar baixinho em seus braços.
Félix a abraçou com força. Nos últimos dias, seu coração parecia estar sendo cortado por facas, mas agora, silenciosamente, se acalmava.
Não importava o que tivesse acontecido, o fato de ela estar em seus braços agora era bom, muito bom.
— Me desculpe, eu não te protegi direito.
Sua voz era suave, com um tremor incontrolável.
Celina balançou a cabeça em seu peito e sussurrou:
— Os donos desta pousada também são traficantes de pessoas, foram eles e outro cara que me sequestraram. Eu consegui fugir da vila com muito esforço, mas caí nas mãos deles de novo. Quase achei que ia morrer, e nunca imaginei que meu primeiro cliente seria você.
Félix franziu a testa no mesmo instante:

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