Celina Reis com os músculos tensos, sem tempo para pensar, o instinto de sobrevivência a fez virar e correr.
Mas assim que deu um passo, aquela mão áspera como uma pinça de ferro agarrou sua gola por trás, puxando-a.
O homem era extremamente forte e a arrastou violentamente para dentro.
Jogada no depósito de lenha, ela caiu com tanta força que sua visão escureceu.
— Olha só, é você mesma.
A mulher se agachou, as unhas afiadas apertando o queixo dela, os olhos cheios de cálculo.
— Vendida para a serra há poucos dias, e você já tem a audácia de fugir.
Ela soltou Celina e virou-se para o homem.
— Nicanor, quando amanhecer, você a devolve para a Dona Odete.
O homem não respondeu imediatamente. Cuspindo a guimba de cigarro e apagando-a com o pé, seu olhar percorreu Celina como se avaliasse uma mercadoria.
— Devolver? O Guto nos deu só dois mil nessa transação, eu me sinto no prejuízo. Com essa aparência...
Ele revelou um sorriso de dentes amarelados.
— ...não seria melhor ficarmos com ela? Trancada aqui, ninguém lá fora vai saber. Cobramos no mínimo vinte e cinco por vez, atendendo vinte homens por dia, em um mês já rende um bom dinheiro.
Os olhos da mulher brilharam subitamente.
— Boa ideia, muito melhor do que uma venda única!
Nesse momento, batidas abruptas soaram no portão principal, ecoando nitidamente no silêncio da madrugada.
A mulher cuspiu com impaciência.
— Quem está batendo agora? Parece que tem assombração esta noite, não tem fim!
Ela fez menção de ir verificar, mas Nicanor a segurou.
— Eu abro. Você dá um jeito nela, amanhã mesmo já começa a atender os clientes.
— Certo, vou procurar umas roupas para ela trocar.
Os dois saíram um após o outro do depósito que cheirava a mofo.
A escuridão rapidamente engoliu Celina.

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