O muro era de tijolos brancos, bem mais alto que as casas de pau a pique vizinhas. O pátio em frente era plano e espaçoso.
Bem no meio daquele piso de cimento, repousava um triciclo motorizado de carga azul, um pouco gasto.
Celina parou de supetão...
O som do gongo e a gritaria se aproximavam. A luz das tochas já dançava não muito longe dali.
Os xingamentos agudos da Dona Odete rasgaram a noite.
— ... Aquela vadia forasteira maldita! Ela botou fogo na minha casa e queimou os meus dois filhos! Quando pegarem ela, eu arranco o couro daquela praga!
Os camponeses, recém-acordados, formaram um grupo e correram para a frente da casa de tijolos brancos.
A porta da casa se abriu e um homem de meia-idade, com um casaco nos ombros e expressão séria, saiu.
A multidão gritou em uníssono:
— Sr. Alceu!
Dona Odete se atirou à frente, aos prantos.
— Sr. Alceu! A mulher que a gente comprou fugiu! Ela tacou fogo na minha casa e queimou os meus meninos, você precisa fazer alguma coisa!
O Sr. Alceu olhou para o brilho do incêndio e ordenou rapidamente:
— Beto, Carlos, tirem os irmãos de lá o mais rápido possível! Vou pegar o triciclo e levá-los para o posto de saúde na cidade.
Dito isso, ele se virou para a multidão em pânico:
— A mulher não deve ter ido longe. Peguem os cachorros e separem-se em grupos! Quando a encontrarem, deem uma surra nela e tragam ela viva.
Os homens assentiram e começaram a correr.
O Sr. Alceu correu para o triciclo no quintal.
O espaço de carga era largo. Ele apertou os sacos de estopa que estavam amontoados no canto, forrou a caçamba com palha e dirigiu até a casa de Dona Odete.

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