Já era noite.
As luzes da casa de pau a pique se acenderam.
O chamado banquete de casamento não passava de um jantar de batatas para os mais velhos da família que vieram.
A única coisa abundante era a cachaça de alto teor alcoólico; fora isso, não havia mais nada.
Os dois noivos engoliram algumas batatas às pressas, beberam várias tigelas de cachaça e foram enxotados por Dona Odete para o quarto nupcial.
Nos últimos dois dias, por medo de que Celina fugisse, Dona Odete lhe deu apenas uma batatinha por dia.
Naquele momento, Celina estava sentada na beira da cama. Apesar das cordas terem sido removidas, ela parecia murcha, sem forças.
Assim que a porta fechou, a própria Dona Odete passou o cadeado por fora e voltou para continuar bebendo com os mais velhos.
Dentro do quarto, a luz das velas vermelhas era fraca.
Bruno, impaciente, com um sorriso macabro, avançou brutalmente contra Celina.
Celina soltou um grito assustado, que de imediato feriu o coração de Tiago.
— Bruno, vai devagar!
Bruno parou o que estava fazendo, virou a cabeça e o olhou com brutalidade.
— Seu inútil! Tá querendo disputar mulher comigo? Vá pro inferno. Você só serve pra comer no cocho com os bichos!
Aquelas palavras inflamaram a raiva de Tiago.
Ele agarrou o pescoço de Bruno e o puxou da cama para o chão.
Apesar de Bruno ser fisicamente mais fraco, ao se virar, ele conseguiu dar um soco no rosto do irmão.
Os dois começaram a rolar pelo chão em uma briga violenta.
Os galões de cachaça armazenados no quarto caíram, derramando o líquido inflamável por toda a cama e pelo chão.
— Parem de brigar, por favor!
Celina circulava em volta dos irmãos. Parecia tentar apartar a briga, mas, na verdade, estava aproveitando a confusão para espirrar e esfregar mais álcool na roupa dos dois.

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