Celina deu duas mordidas e, aproveitando o intervalo em que a mulher a alimentava, perguntou:
— Por favor, onde estamos?
Plaft!
O homem ao seu lado deu-lhe um tapa no rosto e avisou ferozmente:
— A boca é só para comer, não abra para mais nada! Se fizer mais algum barulho, corto sua língua!
Com o rosto ardendo, Celina ficou em silêncio.
Engoliu a comida sem sabor e manteve a mente lúcida.
Precisava descobrir onde estava e arrumar um jeito de enviar uma mensagem para Félix.
Ele, com certeza, estaria procurando por ela!
O caminhão balançou pelas estradas de terra por cerca de dois dias.
Depois disso, vendaram seus olhos, arrastaram-na para fora e a colocaram em um triciclo motorizado já um pouco velho.
O triciclo chacoalhou pelas estradas sinuosas da montanha por algumas horas antes de parar.
Ela foi arrancada do veículo. Quando a venda foi tirada, a luz forte do céu quase a fez desmaiar.
A visão clareou aos poucos, revelando um vilarejo encravado no meio das montanhas.
As casas de pau a pique eram baixas. O ar estava impregnado com cheiro de fumaça e esterco. A miséria estava estampada em todo lugar.
Celina percebeu que havia chegado ao destino dos compradores.
Ela foi empurrada até cair no celeiro de uma casa camponesa.
No quintal, três pessoas a aguardavam.
Uma mãe na casa dos cinquenta anos e dois filhos na casa dos trinta.
Desde que ela entrou, os olhos dos três a devoravam.
— Dona Odete, dessa vez a mercadoria é de primeira. É da cidade, tem estudo e saúde forte, com certeza vai dar bons filhos — disse o homem ameaçador.
Dona Odete não respondeu. Apenas entrou no celeiro e apertou o queixo de Celina, obrigando-a a erguer o rosto.
— Quantos anos? Já teve homem?

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