Ele não continuou a falar.
Dizer até aquele ponto já era uma dor excruciante.
As costas de Félix se enrijeceram quase imperceptivelmente por um instante, e sem precisar pensar, respondeu com uma leve vibração na voz grave:
— Para mim, ela sempre será pura.
Dito isso, ele continuou a caminhar a passos largos.
Waldir observou-o se afastar e assentiu com a cabeça.
Ele virou a cabeça para olhar para o avô Palma no chão.
— Otávio, leve o velho para a delegacia sob a acusação de tráfico de pessoas.
O avô Palma ficou em choque profundo.
— Waldir, eu sou seu pai! Se eu for preso, isso envergonhará a nossa família. Você...
— Então o senhor sabia que suas ações nos envergonhariam, mas ainda assim as cometeu. Por que eu deveria encobrir seus crimes?
O velho tremia todo, mas apenas gritou histericamente:
— Eu tenho mais de setenta anos! A polícia não vai me condenar, eu tenho imunidade!
Imediatamente, Otávio mandou taparem a boca do velho e o levou pessoalmente à delegacia.
No pátio, restou apenas Luiza.
Desde que vira o interrogatório brutal de Félix, ela permaneceu calada de tanto pavor.
— Levem a Neusa de volta para o quartinho de despejo — ordenou Waldir.
A respiração de Luiza travou.
Neusa era o nome que ela usava no orfanato. O fato de Waldir chamá-la assim significava que ele estava tirando seu título da família.
Ela estava prestes a rastejar até ele e implorar por misericórdia, quando ouviu Waldir dar instruções ao mordomo, sem emoção:
— Dê a ela um pouco de veneno todos os dias para que sua saúde se deteriore lentamente. Ao amanhecer, anunciem que a filha do meio da Família Palma teve um ataque de uma doença grave, e que a situação não é otimista.
— Sim, senhor — respondeu o mordomo.
Luiza estava chocada demais para falar.
Ela se virou instintivamente para Solange, com os olhos cheios de súplica.
Mas Solange apenas virou o rosto e permaneceu em silêncio.

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