PRINCESA EMERIEL
Três dias depois.
Após o treinamento da manhã, Emeriel se refrescou rapidamente antes de se dirigir à mesa do café da manhã.
Seus músculos ainda doíam, mas ela acolhia a sensação de queimação. Era a única coisa que parecia real nos dias de hoje.
As grandes portas de madeira rangiam quando ela entrava no salão de jantar. Aekeira era a única sentada, sorvendo de sua xícara.
-Você está aqui, Em, sente-se,- disse Aekeira calorosamente, fazendo um gesto para a cadeira ao lado dela.
A mandíbula de Emeriel se contraiu, resistindo à vontade de explodir. Não era culpa de Aekeira que o nome que ela a chamava a vida toda agora evocava memórias de escravidão e Urai.
-Onde está o rei e Daviel?- Emeriel perguntou com voz cortante enquanto se afundava na cadeira.
-O rei teve uma sessão de corte cedo, eu acho. E o príncipe?- Aekeira deu de ombros, -ele provavelmente ainda está na cama.
Eles comeram em silêncio. A comida tinha gosto de serragem, mas Emeriel forçou-se a engolir. Tudo tinha gosto de cinzas nos dias de hoje.
Quando estavam prestes a sair, a porta se abriu. Rei Orestus entrou, seus guardas o flanqueando.
-Está tudo bem, Majestade?- Aekeira perguntou, franzindo a testa.
O rei hesitou. Sua mão tremeu ao lado dele enquanto olhava para Emeriel antes de mudar seu olhar para Aekeira.
O rei tirano governava com punho de ferro, raramente parecia tão... ansioso. Algo estava errado.
-Emeriel, Aekeira,- ele limpou a garganta, -espero que vocês não tenham... uh... ficado chateadas com, você sabe, o que aconteceu em meu estudo outro dia?
-Sobre as cartas?- Aekeira estava perplexa.
-Não, não sobre as cartas.- Orestus se remexeu desconfortavelmente. -A parte em que eu perdi meu... hum... temperamento. Quero pedir desculpas por isso. Sobre... dizer que eu iria crucificar vocês pelos segredos que escondem... eu não quis dizer.
A paciência de Emeriel se esgotou. -Ok, o que diabos está acontecendo?
Anos atrás, ela nunca teria se atrevido a falar com o rei dessa maneira. Mas anos atrás, ela se importava com coisas como decoro e respeito.
Nos dias de hoje, mal conseguia se importar o suficiente para sair da cama.
-O que está acontecendo?- Aekeira também perguntou.
-Eles estão aqui.- O rei parecia genuinamente aterrorizado.
-Quem está aqui?- A voz de Aekeira baixou para um sussurro.
O tempo se esticou e distorceu. O coração de Emeriel martelava em seus ouvidos. Então, ela parou de respirar completamente. Com certeza ele não quer dizer...
-Os Urekai. Três no total.- Rei Orestus disse por fim. -Eles estão aqui para ver vocês duas.
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Aekeira arfou, sua mão voando para a boca.
Mas o som parecia distante, abafado. O mundo inclinou em seu eixo.
A visão de Emeriel se estreitou, sua audição substituída por um zumbido agudo e crescente que abafou tudo o mais.
Não. Não. Não eles. Não aqui. Não agora.
O salão de jantar se tornou borrado. A mesa, as paredes, até mesmo sua irmã... tudo recuou para a distância.
Ou era ela que estava recuando? Emeriel não tinha certeza mais. Quando ela tinha se levantado?
-Em?
A voz de Aekeira estava fraca. Ela viu a boca de sua irmã se mover, os lábios formando seu nome, mas não parecia real.
Aekeira estava pálida. Muito pálida. A cor desapareceu completamente de seu rosto, deixando-a mais branca do que um vampiro. Então, isso não é um sonho, então. É real.
Eles estão aqui.
Emeriel recuou até bater em algo sólido - uma parede, talvez - mas mal registrou a dor.
Suas respirações vinham em rajadas rasas. Não, não, não...!
Os pensamentos escaparam de seu alcance. Membros lentos, como se estivesse atravessando lama espessa. Ela tinha que fugir daqui.
Muito lotado.
Aqueles ruídos frágeis vinham dela.


Emeriel desviou o rosto. Não me olhe assim. Não olhe muito de perto.
Ela não tinha tido um ataque tão intenso em anos. Tempo demais.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso
Oi está dando ero com o capítulo 132...
Ruim, vc abre o capítulo depois não consegue ler novamente...