PRINCESA AEKEIRA
Quando Aekeira entrou na grande sala e não viu o Senhor Vladya, doeu.
A decepção se inflamou, depois o alívio. Pelo menos, ela não precisa enfrentá-lo ainda.
Ela rapidamente controlou suas feições, caminhando mais para dentro da sala.
Yaz, e o grande soldado chefe do rei - como era o nome dele de novo? - endireitaram-se à sua chegada, rígidos e formais. O Senhor Ottai, que estava olhando pela janela, virou-se para encará-la.
Aqueles familiares, belamente elaborados trajes negros a encheram de tanta nostalgia que tudo o que ela podia fazer era manter sua compostura. Porque agora ela se lembrava deles em alguém em particular também.
-Princesa Aekeira.- O Senhor Ottai inclinou a cabeça com um respeito estranho.
Era perturbador vê-los três se curvarem para ela. Estranhamente reconfortante.
-Grande Senhor Ottai,- ela fez uma reverência. -A que devemos esta visita?
-É uma questão de grande importância. Sua irmã está a caminho?
-Ela não se juntará a nós.
O rosto do Senhor Ottai ficou triste, mas ele não pareceu surpreso. -Obrigado por nos receber. Eu sei que não deve ter sido fácil para você também.
Aekeira não pôde mais conter a pergunta que a atormentava há anos. -Como está... ele está bem?- Ela teve que perguntar, tinha que saber.
-Não.- O grande senhor balançou a cabeça. -Ele não está.
Sua respiração falhou, e ela recuou. Piscando furiosamente contra a picada das lágrimas, Aekeira engasgou. -Ele está f-feral?
O silêncio que se seguiu era insuportável. O olhar de miséria que passou entre os dois soldados chefes foi o ponto de ruptura de Aekeira.
Sua mão voou para a boca, abafando um soluço.
Lágrimas escorriam pelo seu rosto, embaçando sua visão. -Oh céus...- As palavras eram um grito rouco arrancado da parte mais profunda de sua alma.
-Posso, Sua Majestade?- Yaz perguntou.
-Vá em frente, Yaz.
Yaz deu um passo cauteloso à frente. -Meu mestre ainda não está feral. Não completamente.
-O que significa 'não completamente'?- Aekeira perguntou desesperadamente. -Ele está ou não está feral.
-Significa que ele está se transformando, Sua Alteza. Sua mão é a de uma besta. Não há volta.- Yaz explicou cuidadosamente. -Fiquei de tocaia em sua caverna por dias, e consegui vislumbrá-lo quando saiu para comer. Não tenho certeza se é apenas a mão ou se há outras partes.
As pernas de Aekeira vacilaram com um alívio avassalador.
-Normalmente, a mudança ocorre de uma vez,- Yaz continuou. -Um assume sua forma bestial e não consegue mais reverter. Mas há casos raros em que isso acontece. Quando alguém se transforma gradualmente, perdendo partes do corpo de cada vez até a mudança estar completa.
-Então... ele ainda... é... masculino?- Aekeira não conseguiu esconder a esperança em sua voz.
-Não exatamente,- respondeu o Senhor Ottai desta vez.
Aekeira o encarou, seu coração afundando.
-Quando se atinge o ponto de virada, não há mais nada de masculino nele. Sua mente estará completamente perdida. Ele não reconhecerá nada nem ninguém.- O grande Senhor pausou. -Vladya entrou naquela caverna uma manhã e não emergiu em meio ano.
Aekeira desinflou como um balão. Suor frio brotou em sua pele.
Meio ano?
Isso é ruim. Muito ruim.
-O amor dele, jovem princesa,- corrigiu gentilmente o Senhor Ottai.
-Ninguém tem o direito de ser tão bonita, jovem princesa.
-Me beije, jovem princesa.
Muito vívidas, muito dolorosas.
Sinto tanto a falta dele que parece que uma parte de mim foi arrancada e entregue a ele.
-Sim, por favor!- ela ofegou, apertando os olhos. -P-por favor.
-Tudo bem. Peço desculpas, Princesa Aekeira.
Desesperada para distrair sua mente do vazio doloroso em seu coração, Aekeira se forçou a se concentrar na conversa.
-Sua teoria não faz sentido, Senhor Ottai,- ela disse, sua voz tensa. -O grande rei não ama minha irmã. Todos nós sabemos disso. Ele era incapaz disso.
-Ele se importava com ela,- afirmou o Senhor Ottai. -Ele pode não ter sido capaz de amar, mas se importava com ela. Quando tudo o mais querido para ele foi tirado, ela foi a única coisa com a qual ele chegou perto de se importar novamente, e isso o sustentou.
Ele pausou, seu olhar pesado de tristeza. -Mas quando ela foi removida, a ferida aberta que nunca cicatrizou tomou conta e se espalhou. Como Vladya com sua loucura feral, o grande rei escondeu isso de nós. Mas ao contrário de Vladya, ele realmente lutou desde o início. Mas agora, ele não pode mais.
Aekeira engoliu em seco, sua garganta seca. -O que acontece quando alguém não pode mais lutar? O que aconteceu com os outros que perderam suas almas?
O Senhor Ottai desviou o olhar. -Eles morreram. Aproximadamente um mês depois que os sintomas estão completos, eles ou se tornam ferais ou se matam. Todos eles.
O quê? -Mas o Senhor Vladya não tem alma.
-O dele era diferente. A alma de Vladya não está morta, ela foi perdida para a magia negra. Está viva no reino do espírito, onde ninguém sabe. Viva, mas inatingível.
A esperança se acendeu em seus olhos. -Então não está morta? Isso significa... há uma chance de ele ainda poder recuperá-la?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso
Oi está dando ero com o capítulo 132...
Ruim, vc abre o capítulo depois não consegue ler novamente...