— Você tá enganado. — Lilian comentou, como quem pensava em voz alta. — Eles têm dinheiro. Têm bem mais dinheiro do que eu.
Sob o olhar confuso do careca, ela apontou outra vez para a casa.
— Esse imóvel dos meus pais pode não ser enorme, mas é mais do que suficiente pra pagar a dívida.
Afinal, aquilo ainda era um sobradinho antigo, com quintal, num beco velho de Cidade A. Se eles vendessem, dava pra levantar um bom dinheiro; se eles hipotecassem no banco, também dava pra fazer um empréstimo e quitar tudo.
A voz dela saiu um pouco mais alta do que antes. Não foi só o careca que ouviu; no andar de cima, Yago e Karina também ouviram perfeitamente.
Antes mesmo que o careca respondesse, Yago já tinha perdido a cabeça. Ele enfiou metade do corpo pela janela e começou a xingar Lilian lá de cima:
— Sua imbecil! Se a gente vender essa casa, você quer que eu, sua mãe e seu irmão vamos morar onde?? Você não presta! A gente ralou a vida inteira pra pagar a sua faculdade, e é assim que você agradece??
No fim das contas, alguém além de Luiza tinha escutado aquilo. E esse alguém era justamente Cauã.
Quanto aos vizinhos, se eles tivessem ouvido também, Lilian não teria se importado. Não era a primeira vez que aquele tipo de cena acontecia.
Lilian fingiu que não ouviu. Ela apenas olhou para o careca:
— E aí, a minha sugestão não é ótima?
— Lilian…
O careca, na verdade, já tinha cogitado essa saída.
Só que a família toda de Lilian tinha garantido mil vezes que ia conseguir arrancar dinheiro dela. Para eles, obrigar aquela gente a vender a casa seria quase impossível.
Lilian, obviamente, também sabia disso. Ela abaixou a cabeça, abriu a bolsa e tirou dali um cartão de visitas com a maior naturalidade. Ela sorriu de leve, num gesto mais profissional do que íntimo.
— Eu acabei de conferir o contrato de empréstimo. Ele tem, sim, validade jurídica. Se eles se recusarem a cooperar na venda da casa, você pode me procurar a qualquer momento. Esse é o meu cartão.
Ela terminou a frase e, sem esperar resposta, enfiou o cartão no bolso da camisa polo dele.
Quando viu que ela já ia se virar para ir embora, Cauã deu um passo para acompanhá-la, mas, antes, ele inclinou a cabeça na direção do careca:
— Não vem atrás dela. Se precisar, vem atrás de mim.
Assim que ele terminou, ele tirou não se sabia de onde o próprio cartão de visitas e, com o mesmo movimento fluido, colocou o cartão no outro bolso do careca.
O homem ficou paralisado por um instante, com dois cartões no peito.
— Essa casa é onde vocês iam morar na velhice. — Lilian completou, com calma, sem mudar o tom de voz, repetindo um discurso que ela já tinha ouvido incontáveis vezes. — E, se a gente for levar ao pé da letra o que vocês sempre dizem, se eu me recusar a ser vendida junto, a entregar o meu dote e todas as minhas economias pro Severino comprar um apartamento, essa casa ainda pode servir provisoriamente como “casa de casado” pra ele.
— Só que aí me diz… — Lilian encarou Karina e esboçou um sorriso, como se estivesse realmente intrigada. — Vocês não têm dinheiro, a casa não pode ser vendida… E essa dívida inteira, feita às custas de bebida, jogo, mulher e droga do Severino, resolve como?
— Lilian… — Karina olhou pra ela com uma última ponta de esperança. — Você… Você realmente não tem mesmo nenhum dinheiro?
Lilian respondeu na hora, firme:
— Não tenho.
— Então… — O olhar de Karina escorregou até Cauã, que estava ao lado de Lilian, com aquela aparência impecável. Ela esfregou as mãos, constrangida. — Então… Será que não dava pra pedir emprestado um pouquinho pro seu na… Namorado?
Ela criou coragem e olhou diretamente para Cauã:
— Dá? Eu juro que é só dessa vez. Depois nunca mais a gente vai incomodar vocês. Quando você e a Lilian casarem, a gente não vai exigir nada, nem dote, nem apartamento, nem nada…
Enquanto ela falava, Lilian não aguentou e começou a rir, sem conseguir segurar, cortando aquela fantasia pela raiz com uma frieza cortante:
— Karina, em que mundo você tá vivendo pra acreditar numa coisa dessas?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esquece, Ethan! A Senhora Está Noiva do CEO Mais Poderoso
Sinceramente, ta chato ter que pagar e não chega logo a parte que Luiza descobre os pais, e a verdade identidade de Osvaldo...
Cadê o resto, eu já estou sofrendo com essa enrolação toda, ainda por cima estão colocando cada vez mais barreiras... A única coisa que site faz com isso é perder leitores pra outros títulos, nós perdemos tempo e dinheiro, vocês perdem a fidelização dos leitores....
Gente de novo essa palhaçada de não postar os capítulos e isso pq é pago e não é barato😡😤🤬...
Cadê os outros capítulos?...
a história está se perdendo, a autora deveria se atentar! ja esta ridículo, péssimo de ler...
ja esta a mais de 200 capítulos com todo mundo, menos a Luiza, sem saber quem é a família biológica. Muita enrolação...
Perdendo o estímulo pra acompanhar, Tá muito cansativa a estória, excluiu vários e está envolvendo outros personagens para sustentar. Mas está sem graça. Melhor finalizar....
Esse livro é uma desgraça, desistindo. Quem escreveu precisa se aposentar....
Mas que chatice! Toda vez essa enrolação, fala que vai oficializar o divórcio tem 50 capítulos já! Saco!...
Nos capítulos 300 e pouco parece que a história perde a consistência. Lilian parece ter esquecido algumas coisas sobre Luiza e Gustavo. Ale disso muitas coisas acontecem de forma forçadamente conveniente e até pouco criativas. Tá difícil continuar....