O beijo, tão inesperado, deixou Gustavo completamente surpreso.
O beijo dela era desajeitado, sem técnica nenhuma. Ainda assim, só com aquilo, ele sentiu o corpo inteiro reagir, incapaz de segurar o que estava nascendo ali de novo — e disposto a se perder junto com ela.
No instante seguinte, Gustavo tomou o controle. Ele puxou Luiza inteira para dentro do abraço, passou o braço em volta da cintura dela e, sem deixar espaço para recuo, aprofundou o beijo.
A respiração dele trouxe aquele perfume leve de colônia masculina, e Luiza, por um segundo, não conseguiu evitar o pensamento: se o tempo pudesse parar ali, se tudo pudesse congelar exatamente naquele momento, seria perfeito.
A brisa da noite passou, fria, e fez Luiza voltar à realidade num sobressalto. Ela se desvencilhou dos braços dele de uma vez, recusando-se a continuar se afundando naquilo. Ela respirou rápido, tentando, à força, puxar de volta a própria lucidez.
Ela encheu o peito de ar e soltou, com um sorriso que soou quase leve demais:
— Sr. Gustavo, não adianta você querer. Eu não tenho o hábito de deixar um homem que não é o pai biológico assumir o papel de pai.
— Não adianta eu querer? — Gustavo quase perdeu o eixo. Ele passou a mão nos próprios lábios. — E esse beijo foi o quê, então? Luiza, você me beijar é o quê, exatamente?
De onde ela tinha tirado isso? De um lado, ela queria cortar qualquer laço; do outro, fazia questão de tirar vantagem.
Devia ser influência daquele idiota do Ethan.
Luiza apertou a palma da mão:
— Foi azar seu.
Gustavo quase riu de raiva. A paciência dele se desfez de vez. Ele falou num tom duro:
— Que tipo de birra é essa, afinal? Não dá pra falar direito? Luiza, você não acha, de verdade, que eu não vivo sem você, acha?
Esse mínimo de noção Luiza tinha. Os cílios dela baixaram:
— Como é que você ia viver sem mim? Você é o Gustavo.
As mulheres que queriam casar com ele podiam dar voltas e voltas no quarteirão, na cidade inteira se deixassem.
Nos ouvidos de Gustavo, aquilo soou com um quê de ironia.
O olhar dele esfriou, do canto dos olhos até a ponta do sorriso que não veio. Antes que ele respondesse, um barulho veio da direção da escada.
O mordomo tinha subido quase correndo, estava ofegante. Ele olhou direto para Luiza e falou, em tom urgente:
— Dra. Luiza, a senhora precisa descer. Dona Íris acabou de desmaiar!
— Desmaiou? — O coração de Luiza deu um salto. Ainda bem que ela conhecia bem o quadro de Íris. Enquanto ela já começava a descer, ela perguntou. — Ela desmaiou do nada? Caiu, bateu em algum lugar?
A pressão de Íris era um pouco alta, mas, nos últimos tempos, estava bem controlada. O normal seria não acontecer nada tão grave assim de repente.
O mordomo respondeu:
— Ela começou a discutir com o Sr. Durval. No meio da discussão, ela simplesmente desabou.
Luiza entendeu e preferiu não perguntar mais nada.
Ela só ficou surpresa. Nas duas vezes em que tinha lidado com os dois em Cidade A, ela sempre tinha achado que Durval colocava Íris em primeiro lugar.
Quando Luiza chegou à sala de visitas, Íris já estava deitada na cama larga do quarto de hóspedes no térreo.
Ao ver Íris deitada, tão quieta, o coração de Luiza se apertou. Ela deu um passo à frente, mas Amanda se pôs na frente dela, levantando o braço para barrar a passagem, e explodiu:
— O que você veio fazer aqui? Você não disse que ia cuidar muito bem da saúde da minha mãe? Como é que ela desmaia assim do nada? Aqui ninguém precisa de você…
Durval lançou um olhar preocupado na direção de Luiza:
— Luiza…
— Edson, sobe no quarto e pega as minhas agulhas de acupuntura. — Luiza falou como se não tivesse nem ouvido o chamado de Durval. Ela se virou na direção de Edson. — Estão na gaveta do criado-mudo, do lado direito da cama.
Edson assentiu:
— Vou pegar agora.
Ele saiu do quarto às pressas.
Durval franziu ainda mais o cenho. Fora Íris, ninguém jamais tinha se dirigido a ele com aquela naturalidade, como se a presença dele não fizesse diferença nenhuma, como se ele fosse quase invisível.
Estranhamente, ao olhar para Luiza ali, concentrada em examinar Íris, ele não sentiu irritação. Pelo contrário: ele sentiu um leve peso na consciência.
Ele tinha passado anos nutrindo uma culpa pelos pais de Amanda e, para aliviar essa culpa, tinha despejado tudo em cima da própria Amanda. De quebra, quando se tratava dos outros filhos, ele sempre acabava pendendo um pouco mais para o lado dela.
Desde o desaparecimento de Jennifer, o tratamento de Íris com Amanda tinha ficado mais frio a cada ano. Ele tinha percebido, claro. E, sem notar, tinha tentado compensar isso defendendo Amanda ainda mais.
Há pouco, à mesa, ele também tinha comprado uma briga com Íris por causa de Amanda.
Momentos antes de desmaiar, a última frase que Íris tinha dito para ele foi:
— Durval, me diz a verdade… Você já não apagou a Jennifer da sua cabeça faz tempo?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esquece, Ethan! A Senhora Está Noiva do CEO Mais Poderoso
Sinceramente, ta chato ter que pagar e não chega logo a parte que Luiza descobre os pais, e a verdade identidade de Osvaldo...
Cadê o resto, eu já estou sofrendo com essa enrolação toda, ainda por cima estão colocando cada vez mais barreiras... A única coisa que site faz com isso é perder leitores pra outros títulos, nós perdemos tempo e dinheiro, vocês perdem a fidelização dos leitores....
Gente de novo essa palhaçada de não postar os capítulos e isso pq é pago e não é barato😡😤🤬...
Cadê os outros capítulos?...
a história está se perdendo, a autora deveria se atentar! ja esta ridículo, péssimo de ler...
ja esta a mais de 200 capítulos com todo mundo, menos a Luiza, sem saber quem é a família biológica. Muita enrolação...
Perdendo o estímulo pra acompanhar, Tá muito cansativa a estória, excluiu vários e está envolvendo outros personagens para sustentar. Mas está sem graça. Melhor finalizar....
Esse livro é uma desgraça, desistindo. Quem escreveu precisa se aposentar....
Mas que chatice! Toda vez essa enrolação, fala que vai oficializar o divórcio tem 50 capítulos já! Saco!...
Nos capítulos 300 e pouco parece que a história perde a consistência. Lilian parece ter esquecido algumas coisas sobre Luiza e Gustavo. Ale disso muitas coisas acontecem de forma forçadamente conveniente e até pouco criativas. Tá difícil continuar....