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Esposa Temporária:Ele me vê como um nada, mas precisa de mim romance Capítulo 8

O papel em minhas mãos parece queimar. Não é um papel qualquer; é o contrato. O mesmo que Gabriel Monteiro me entregou ontem, com aquela frieza calculista que me irrita e, confesso, me intriga. As palavras dançam diante dos meus olhos, cada cláusula um golpe na minha já abalada dignidade. “Casamento por conveniência”, “duração de um ano”, “aparências públicas”, “quantia a ser paga”. É tudo tão formal, tão desprovido de qualquer emoção, que sinto um nó na garganta.

Estou sentada na minha pequena cozinha, a luz fraca da manhã mal consegue afastar as sombras. A xícara de café esfria na minha frente, intocada. O cheiro de tinta e baunilha, que normalmente me acalma, hoje parece sufocante. Olho para a pilha de contas na mesa, um lembrete cruel da minha realidade. A carta do banco, a notificação de despejo, as dívidas do hospital que se acumulam como uma montanha intransponível. Minha vida, que já era um caos, agora parece estar em queda livre.

Ontem à noite, depois que Gabriel foi embora, eu chorei. Não aquele choro silencioso e contido, mas um choro feio, desesperado, que me deixou com os olhos inchados e a alma exausta. Chorei pela minha mãe, pela casa que está prestes a ser tirada de mim, pelos sonhos que parecem cada vez mais distantes. Chorei pela humilhação de ter que considerar uma proposta tão absurda, tão desumana.

Mas as lágrimas não pagam as contas. E a dignidade, como Gabriel tão cruelmente apontou, também não. Ele tinha razão. Um ponto doloroso, mas inegável. A dignidade não me dá um teto, não me alimenta, não me permite cuidar do que restou da minha família.

Respiro fundo, tentando acalmar o turbilhão de emoções dentro de mim. O contrato. Preciso lê-lo novamente, com a mente mais clara, se é que isso é possível. Cada palavra, cada vírgula. Ele disse que eu deveria ler cada linha, e eu vou. Não vou dar a ele o prazer de me ver desinformada ou ingênua.

Cláusula 3.1: O casamento terá duração de um ano civil, a contar da data da celebração. Após este período, as partes concordam em iniciar o processo de divórcio amigável, sem contestação. Um ano. Apenas um ano. Parece uma eternidade e, ao mesmo tempo, um piscar de olhos. O que será de mim depois? Voltarei para esta mesma cozinha, com as mesmas contas, mas com a marca de um casamento falso? A ideia me revira o estômago.

Cláusula 4.2: As partes deverão manter a aparência de um casal feliz e funcional em público, incluindo eventos sociais, encontros familiares e interações com a mídia. Fingir. Essa é a palavra-chave. Fingir que o homem frio e calculista que me propôs um casamento por dinheiro é o meu marido apaixonado. Fingir que a mulher desesperada que aceitou por necessidade é a esposa ideal. A farsa será exaustiva, eu sei. Mas, por Leo… por aquele menino de olhos curiosos e sorriso tímido, talvez valha a pena.

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