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Esposa Temporária:Ele me vê como um nada, mas precisa de mim romance Capítulo 7

Gabriel passa a mão pela nuca, um gesto rápido, controlado, mas a irritação é palpável. Seus olhos escuros me perfuram, e sinto um arrepio. Ele não está acostumado a ser contrariado.

— Senhorita Duarte — ele começa, com aquele tom polido que esconde uma pontada de desprezo. O tom de quem acredita que a única razão para minha recusa é a falta de compreensão. — Talvez você não tenha entendido completamente a proposta.

— Eu entendi perfeitamente — respondo, a voz mais firme do que me sinto. Minhas mãos, ainda manchadas de tinta, se fecham em punhos. Ele fala de dinheiro como se fosse a única coisa que importasse, como se pudesse comprar tudo, inclusive minha dignidade.

— Você receberia uma quantia que resolveria todos os seus problemas financeiros.

— Eu ouvi.

— Suas dívidas.

— Sim.

— O aluguel de sua casa.

— Também ouvi.

Ele estreita os olhos, a paciência se esvaindo. — Então por que recusou?

Inclino a cabeça, desafiadora. O orgulho, uma chama teimosa dentro de mim, se recusa a ceder. — Porque o senhor é arrogante. Acha que pode comprar todo mundo.

Um silêncio pesado se instala, preenchendo o espaço entre nós. A chuva lá fora, que antes batia forte, agora é apenas um sussurro distante. Ele respira fundo, um som quase inaudível, mas que carrega a tensão de um homem que está se controlando para não explodir. É o tipo de respiração que alguém faz quando está tentando não estrangular outra pessoa, e a imagem me faz querer rir, mas me contenho.

— Eu estou tentando resolver um problema sério — ele diz, a voz baixa, mas carregada de uma intensidade que me faz recuar um passo.

— E eu pareço um aplicativo de solução de problemas? — retruco, a ironia escorrendo de cada palavra. A ideia de ser uma ferramenta em seu jogo me revolta.

— Não.

— Parece que sim.

Ele me encara como se eu fosse um enigma, uma criatura estranha que ele não consegue decifrar. Talvez eu também esteja tentando descobrir que tipo de criatura sou. Porque, honestamente, meu cérebro grita para que eu aceite. A casa, as dívidas, o hospital… tudo poderia ser resolvido. Mas meu orgulho, ah, meu orgulho não recebeu o memorando.

— Senhorita Duarte — ele diz finalmente, a voz um pouco mais suave, mas ainda com a autoridade inabalável. — Eu estou oferecendo uma solução que beneficiaria nós dois.

— O senhor está oferecendo um casamento falso — corrijo, a palavra "falso" soando amarga na minha boca.

— Um casamento real, mas temporário.

— Isso continua sendo estranho — insisto. A ideia de fingir uma vida com ele, mesmo que por um ano, me parece surreal.

— É um contrato.

— Isso continua sendo estranho.

— Um acordo legal.

— Ainda estranho.

Ele aperta a ponte do nariz, um sinal claro de frustração. — Você sempre é assim?

— Assim como? — pergunto, um sorriso provocador brincando nos meus lábios.

— Difícil.

Abro um sorriso doce, quase inocente. — Só quando homens ricos aparecem na minha porta oferecendo casamento como se estivessem comprando um carro, pior, comprando gente.

Algo nos olhos dele muda. Não é exatamente irritação, mas algo mais curioso, quase um vislumbre de surpresa. Como se ele estivesse me analisando, tentando entender a engrenagem por trás da minha resistência. E isso, de alguma forma, me deixa desconfortável. Ele não deveria me ver, não deveria me decifrar.

— Você não tem medo de mim — ele observa, a voz quase um sussurro.

Solto uma risada curta, sem humor.

— Senhor Monteiro, eu tenho medo de ficar sem dinheiro para pagar a conta de luz, ou pior, perder meu teto por falta do pagamento do aluguel. Ah, tenho medo também de descobrir que macarrão instantâneo causa alguma doença mortal depois de anos de consumo. O senhor não está nem no top dez.

Ele fica em silêncio por alguns segundos, e então algo inesperado acontece. Ele sorri. Não é um sorriso grande, daqueles que iluminam o rosto. Na verdade, é quase imperceptível, um leve puxar de canto dos lábios. Mas muda completamente a expressão dele, suavizando a frieza habitual. E isso é… irritantemente atraente. Droga. Eu não deveria notar isso.

— Interessante — ele murmura, e sinto um calafrio.

— Eu odeio quando homens ricos dizem “interessante”. Normalmente significa que estão planejando algo.

— Talvez eu esteja.

— Não gosto disso.

Ele cruza os braços, a postura imponente. — Vamos tentar de novo.

— Isso não é uma negociação de mercado — digo, exasperada. A situação é absurda demais para ser tratada como um negócio.

— Na verdade é.

— Não é.

— É exatamente isso.

— Não é.

Ele suspira, a paciência no limite. — Você precisa de dinheiro.

— Sim — admito, a palavra saindo como um suspiro de derrota.

— Eu preciso de uma esposa.

— Isso continua soando errado — digo, balançando a cabeça.

— Uma esposa temporária.

— Um pouco menos errado.

— E você recusou.

— Sim.

— Mesmo sabendo que poderia resolver seus problemas.

— Sim.

Ele inclina levemente a cabeça, os olhos fixos nos meus. — Por orgulho?

Levanto o queixo, a dignidade ferida. — Por dignidade.

Ele fica em silêncio por um momento, e então, com uma calma assustadora, ele dispara: — A dignidade paga suas contas?

Ai. Golpe baixo. Muito baixo. Sinto o sangue gelar nas veias. Ele acertou em cheio. Eu estreito os olhos, a raiva misturada com a verdade nua e crua.

— Isso foi cruel.

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