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Esposa Temporária:Ele me vê como um nada, mas precisa de mim romance Capítulo 16

Ele quebra o silêncio de repente, como se tivesse encontrado a solução perfeita para um problema complicado.

— Já sei — diz, batendo levemente os dedos no volante. — Temos uma ótima história para contar sobre como nos conhecemos.

Viro o rosto devagar, desconfiada.

— Tenho medo quando você começa frases assim.

Ele ignora meu comentário e continua, animado, como alguém que está montando um roteiro na cabeça.

— A gente diz que nossos carros se chocaram no trânsito. Nada grave, só aqueles esbarrões idiotas de cidade grande. Eu saí do carro pronto pra discutir, você saiu pronta pra discutir também… mas aí eu percebi que você estava carregando telas no banco de trás.

Ele faz uma pausa, como se visualizasse a cena inteira.

— Aí eu pergunto o que é aquilo, e você diz que é pintura. Que você é artista. Eu fico curioso, claro. Você me mostra uma das telas… e pronto. Eu fico completamente impressionado.

Cruzo os braços.

— Impressionado?

Ele dá de ombros.

— Sim. Porque ninguém espera encontrar algo bonito no meio de um engarrafamento infernal. Muito menos alguém que pinta daquele jeito.

Ele olha para mim de lado agora, avaliando a própria história.

— Então eu me ofereço para te levar em casa, porque seu carro ficou meio estranho depois da batida. No caminho, você me conta que está tentando viver da arte. Que não é fácil. Que ninguém leva muito a sério.

Seu tom fica um pouco mais suave.

— E eu digo que é justamente por isso que gosto das suas pinturas. Porque elas não parecem feitas para agradar ninguém. Elas parecem… honestas.

Engulo em seco, mesmo sabendo que ele está inventando tudo.

Ele continua:

— Aí vem a parte importante da história. Quando eu chego na sua casa, você me mostra o ateliê. As telas espalhadas, tinta por todo lado, cheiro de solvente… aquela bagunça de quem vive criando alguma coisa.

Um meio sorriso aparece no rosto dele.

— E eu percebo que você não pinta para vender. Você pinta porque precisa. Como se fosse respirar.

Ele olha novamente para mim, mais sério agora.

— É aí que eu digo que me apaixonei.

Ergo uma sobrancelha.

— Só por causa das pinturas?

Ele solta uma pequena risada.

— Não.

Seus olhos descem rapidamente pelo meu rosto antes de voltar para a estrada.

— Eu digo que me apaixonei porque, naquele ateliê cheio de telas inacabadas, você parecia a única pessoa no mundo que não estava tentando ser outra coisa além de si mesma.

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