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Esposa Temporária:Ele me vê como um nada, mas precisa de mim romance Capítulo 13

Sinto o desafio em suas palavras, mas não recuo. Ergo o queixo, enfrentando a tempestade em seus olhos. A proximidade é inebriante, e o desejo de tocá-lo, de descobrir o que se esconde por trás dessa máscara de gelo, luta contra o meu bom senso.

— Espero sinceramente que seja assim. Que ele seja sua prioridade acima de tudo. Já que, pelo visto, você não quer uma esposa definitiva.

Por um segundo o ar entre nós parece pegar fogo.

Então ele quebra o momento.

— Vamos almoçar.

Ele se vira e caminha em direção à sala de jantar, e eu o sigo. O jogo continua, e a cada passo, a linha entre a farsa e a realidade se torna mais tênue.

A sala de jantar é imensa, com uma mesa de madeira escura que parece quilométrica. Marta já dispôs tudo com uma perfeição que me incomoda. Sentamo-nos em extremidades opostas, uma distância segura que parece necessária depois do que acabou de acontecer na sala. O silêncio que se segue é preenchido apenas pelo tilintar dos talheres, mas a tensão continua lá, vibrando como uma corda de violão prestes a arrebentar.

Observo Gabriel enquanto ele come com uma elegância mecânica. Ele não olha para mim, mas sinto que ele está consciente de cada movimento meu. A comida é sofisticada, mas para mim tem gosto de cinzas. Minha mente ainda está naquela sala, sentindo o calor do seu corpo e o desafio em sua voz.

O silêncio se estende, pesado, até que eu não aguento mais. A imagem da minha mala, da minha vida antiga sendo descartada sem cerimônia, me revira o estômago. Preciso falar. Preciso que ele entenda que nem tudo na minha vida era uma “condição anterior” a ser jogada fora.

— A propósito — começo, a voz mais fria do que eu pretendia, mas a raiva borbulha em meu peito. — O que você fez com a minha mala? E com o que estava dentro dela?

Gabriel levanta os olhos. Um lampejo de surpresa cruza seu rosto antes de ser rapidamente substituído pela habitual máscara de indiferença. Ele limpa os lábios com o guardanapo de linho, com uma calma que me irrita ainda mais.

— O mordomo se encarregou de descartar. Aquele tipo de material não se alinha com o padrão da casa. E, francamente, esperava que você não se apegasse a objetos tão… obsoletos. Um novo guarda-roupa e todos os itens de higiene pessoal já foram providenciados. Você não precisa mais de nada daquela… condição anterior.

Minha mão aperta o talher com tanta força que meus nós dos dedos ficam brancos.

Obsoletos.

Condição anterior.

Ele não faz ideia. Não tem a menor ideia do que jogou fora.

— Obsoletos? — repito, a voz embargada pela indignação. — Naquela “mala velha” estavam meus pincéis, minhas tintas, meus cadernos de esboço. As ferramentas do meu trabalho, Gabriel. Eu sou artista. Eu pinto. Ou melhor… eu pintava. E você, com sua arrogância e seu julgamento precipitado, jogou tudo fora!

O silêncio que se segue é diferente.

Não é mais tenso.

É chocado.

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