Ele pensou que Iolanda Farias ficaria furiosa, mas ela permaneceu calma.
Narciso Rocha agitou a mão, recuperando imediatamente a postura indiferente de diretor Rocha.
— Isador Cavalcanti, pode sair agora.
O sorriso no rosto de Isador Cavalcanti congelou por um instante, mas logo ela retomou a expressão de obediência.
— Claro, diretor Rocha. Já estou indo.
Antes de se virar para sair, de costas para Iolanda Farias, ela piscou de forma travessa para Narciso Rocha. Apontou para o pequeno bolo sobre a mesa e sussurrou:
— Crème brûlée de morango. Não esqueça de comer, hein.
Iolanda Farias, encostada no batente da porta, mantinha a postura ereta, analisando aquela garota chamada Isador Cavalcanti.
Ao passar por ela, Isador Cavalcanti exibiu um sorriso gentil e educado, parecendo puramente inofensiva e transparente.
Iolanda Farias não fez menção de responder.
Aquela garota estava na empresa há cerca de uma semana.
Na empresa inteira, não havia ninguém que desconhecesse a relação entre Iolanda Farias e Narciso Rocha.
Certamente, a garota também sabia muito bem.
E Narciso Rocha, sem qualquer senso de limites, brincava de gerenciar ambiguidades.
Que nojo. Um casal de canalhas.
Assim que Isador Cavalcanti colocou o pé para fora, Iolanda Farias entrou e fechou a porta.
O som da tranca foi seco.
Isador Cavalcanti olhou para trás, encarando a porta fechada do escritório. O canto de sua boca desceu, o sorriso gentil desapareceu e suas unhas cravaram na palma da mão.
Dentro do escritório.
Narciso Rocha recostou-se na cadeira, o queixo levemente erguido, a expressão tranquila, observando-a.
— O que foi? Algum problema?
Iolanda Farias caminhou com passos firmes até ele.
Colocou o contrato sobre a mesa, cruzou os braços e o olhou de cima, com tom indiferente.
— Este é o novo contrato assinado durante a viagem. Dê uma olhada.
Narciso Rocha assentiu.
— Uhum.
Iolanda Farias manteve a expressão fria e perguntou, como quem não quer nada:
— Ouvi dizer que chegou uma nova estagiária no departamento de arte. Vocês parecem bem próximos, uma relação que não parece comum.
Narciso Rocha tamborilou os dedos longos e bem definidos sobre a mesa, perguntando distraidamente:
— Ah, é? Quem está tão desocupado assim para ficar de fofoca?
— Você sempre foi sensata, não faça tempestade em copo d'água. Estou pensando no bem da empresa.
Iolanda Farias não respondeu. Apenas apertou os lábios e o olhou, o coração calmo, sem ondas.
Narciso Rocha levantou-se, contornou a mesa e parou diante dela, suavizando a postura.
— A viagem foi muito cansativa?
— Vamos jantar juntos hoje à noite, para te receber de volta. O que você quer comer?
Iolanda Farias desviou do toque dele e respondeu secamente:
— Vou voltar ao trabalho.
Ela endireitou a coluna e se virou para sair.
Narciso Rocha observou suas costas e, de repente, a chamou. Pegou o crème brûlée de morango da mesa e o estendeu para ela.
— Eu não gosto de doces. Pode levar. Isador Cavalcanti disse que ficou meia hora na fila para comprar.
Iolanda Farias não pegou. Ergueu os olhos para ele.
— Foi um presente para você, não para mim.
Narciso Rocha forçou o doce na mão dela.
— Então faça o favor de comer por mim, está bem?

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