Entrar Via

Entre Beijos e Labaredas romance Capítulo 3

No dia seguinte.

Logo cedo, Iolanda Farias acordou e se olhou no espelho.-

As marcas vermelhas no pescoço estavam mais claras.

Ela pegou o celular.

Narciso Rocha havia mandado uma mensagem.

[Iolanda, por que sua mala está no hall de entrada? Quando você voltou?]

Iolanda Farias hesitou.

Optou por mentir:

[Voltei de manhã. A Lily Domingos precisava de mim para um assunto, então deixei a mala e saí.]

[Não quis atrapalhar seu sono, por isso não avisei.]

A resposta de Narciso Rocha veio rápida.

[Ah, entendi. Achei que você tivesse voltado ontem à noite.]

Os dedos de Iolanda Farias pararam por um instante.

[Não.]

Iolanda Farias levantou-se para se lavar.

Sem ânimo para ir trabalhar, decidiu tirar o dia de folga.

[Não vou para a empresa hoje. Tenho coisas para resolver com a Lily Domingos.]

Sem esperar a resposta de Narciso Rocha, Iolanda Farias desligou o celular.

De frente para o espelho, usou base para cobrir as marcas no pescoço.

Fez o check-out no hotel.

Foi a um mercado próximo e comprou frutas selecionadas, duas latas de leite em pó e brinquedos de Lego.

Pegou um táxi para o Distrito Nova Aurora, um condomínio de alto padrão.

Ela já havia combinado dias antes.

Iria visitar sua melhor amiga, Lily Domingos, que acabara de ter o segundo filho.

Lily Domingos morava no 26º andar.

Dois apartamentos por andar.

Duzentos metros quadrados.

O metro quadrado custava a partir de cem mil.

Quem abriu a porta foi a sogra de Lily Domingos.

Ao ver as coisas nas mãos dela, mostrou-se muito calorosa:

— Iolanda chegou! Entra, querida.

Iolanda Farias entrou e colocou as coisas na mesa de centro.

No quarto, o bebê chorava alto.

Lily Domingos estava tendo um acesso de raiva.

— Chora, chora, só sabe chorar! Dou de mamar e você não quer. O que você quer afinal?

A sogra de Lily Domingos correu para dentro e pegou a criança no colo.

— Ela é só um bebê, não entende nada. Não adianta ficar xingando.

Lily Domingos ergueu os olhos e viu Iolanda Farias parada na porta.

De repente, sentiu uma tristeza imensa e começou a chorar sentada na cama.

A sogra levou o bebê para fora.

— Fica conversando com a Iolanda.

Iolanda Farias sentou-se ao lado de Lily Domingos.

Acariciou as costas dela para acalmá-la.

— Lily, o que houve?

Lily Domingos encostou no ombro dela, chorando.

— Eu não sei. Só tenho vontade de explodir. Fico irritada só de ouvir choro de criança.

Iolanda Farias achou que poderia ser depressão pós-parto.

Lily Domingos tinha sido sua colega de quarto na faculdade.

Era a garota com o melhor temperamento de todo o dormitório.

Parecia que estavam sempre ocupados com estudos ou trabalho.

Mesmo juntos, só falavam de negócios.

Por exemplo, Narciso Rocha detestava fazer compras.

Dizia que era um desperdício de vida e tempo, sem nenhum sentido.

Por isso, Iolanda Farias quase nunca fazia pedidos "imaturas" como "venha fazer compras comigo".

Naquela relação, ela sempre esteve em posição inferior.

Sempre priorizando ele.

Cuidando com cautela dos sentimentos dele.

Mas agora...

Descobriu que ele podia acompanhar uma garota com total indulgência, sem achar que era desperdício de tempo.

Ele só não queria acompanhar a ela.

Lily Domingos a chamou com cuidado:

— Iolanda, quer ir lá tirar satisfação?

Iolanda Farias desviou o olhar.

Seu rosto estava calmo.

Balançou a cabeça levemente.

— Não precisa. Vamos embora.

Se não tivesse ouvido aquelas verdades ditas sob efeito do álcool na noite anterior, talvez agora ela perdesse o controle.

Talvez corresse até lá para questionar qual era a relação deles.

Mas após uma noite inteira de reflexão, ela já havia decidido se retirar daquela relação.

Então, nada mais importava.

À noite.

Iolanda Farias voltou para casa.

O lugar onde morava com Narciso Rocha.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Entre Beijos e Labaredas