Narciso Rocha a pegou no colo e a jogou na cama.
Inclinou-se sobre ela.
Enterrou o rosto em seu pescoço, murmurando:
— Iolanda...
Iolanda Farias o empurrou com força.
Franziu a testa, com tom de exaustão:
— Narciso Rocha, estou muito cansada. Quero descansar agora...
Narciso Rocha ergueu o corpo.
Ficou encarando o rosto dela.
Viu o cansaço entre suas sobrancelhas.
Rolou para o lado e saiu de cima.
— Então durma.
— Tá.
Narciso Rocha virou-se de costas para ela.
Iolanda Farias também se virou de costas para ele.
Ela ficou de olhos abertos.
Encarava o lustre escuro, perdida em pensamentos.
Sempre que transava com Narciso Rocha, ele só se importava com o próprio prazer.
Nunca considerava o que ela sentia.
Para ser sincera.
Eles já tinham feito isso muitas vezes, mas ela nunca sentiu qualquer prazer naquilo.
Parecia mais o cumprimento de uma tarefa.
Servindo totalmente a ele.
Sempre que tentava beijá-lo, ele desviava.
Ele se protegia muito bem.
Sempre colocava o preservativo antes de começar.
Não dava a ela a menor chance de engravidar.
Antes, ela achava que isso era sinal de responsabilidade.
Ao contrário de alguns homens que, pelo próprio conforto, deixavam a mulher correr o risco.
Agora ela sabia.
Narciso Rocha simplesmente tinha medo que ela engravidasse.
Ainda bem que não tinham filhos.
Senão, seria mais um vínculo para romper.
Iolanda Farias, na verdade, tinha um certo receio e aversão àquilo.
Suspeitava que fosse frígida.
A luz do abajur do lado de Narciso Rocha ficou acesa por muito tempo.
Ele estava sentado, encostado na cabeceira.
Parecia estar trocando mensagens com alguém.
Iolanda Farias fechou os olhos, mas não conseguiu dormir.
De repente, olhou para trás.
O olhar dele trazia uma ternura rara.
Narciso Rocha percebeu que ela estava olhando.
Guardou o celular imediatamente.
Apagou a luz para dormir.
Ele tinha segredos.
Só quando Narciso Rocha adormeceu, respirando uniformemente.
Iolanda Farias se levantou.
Caminhou silenciosamente até o lado dele.
Pegou o celular dele.
Desbloqueou usando a digital dele.
Iolanda Farias nunca verificava o celular dele.
Narciso Rocha não estava prevenido.
Antigamente, ela achava que era imaginação sua.
Agora entendia.
Narciso Rocha talvez estivesse mesmo vendo outra pessoa.
A garota da foto não devia ser o grande amor do passado de Narciso Rocha.
Era muito jovem.
Pelo jeito, essa garota também era uma substituta.
Uma substituta fresca.
Iolanda Farias diminuiu a foto e continuou lendo.
Narciso Rocha: Hum.
Isador: Diretor Rocha, você só sabe dizer "hum"? [Gatinho inclinando a cabeça encarando]
Narciso Rocha: ...Acabei de sair de uma reunião.
Isador: Então deve estar cansado, né? Compartilhando um céu azul de hoje para você.
Narciso Rocha: Bonito.
(Três semanas atrás)
Isador: Hoje dei muito azar. Caí e meu caderno de esboços caiu na poça d'água. Estragou tudo... [Chorando]
Narciso Rocha: Se machucou?
Isador: Bati o joelho, mas estou bem.
Narciso Rocha: Manda o endereço. Vou pedir um delivery de remédio.
Isador: Ah? Não precisa, não precisa.
Narciso Rocha: Chega em meia hora.
Isador: ...Obrigada, tio Narciso.
(Duas semanas atrás)
Isador: Tio Narciso, ganhamos a prata na final! Tudo graças à sua ajuda constante.
Narciso Rocha: Foi resultado do esforço de vocês.
Isador: Mas eu quero te agradecer, tio Narciso. Deixa eu te pagar um jantar. Não me recusa mais, tá bom? [Olhar pidão]

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