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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 1215

Aquela decisão era uma verdadeira tortura.

Cícero olhou para a mulher desamparada e perdida à sua frente, soltando um suspiro contido. Se pudesse, ele realmente gostaria de abraçá-la, de lhe dar algum conforto e força. Na verdade, já era um milagre ela ter aguentado até ali.

— A Felícia está sofrendo muito. — disse Cícero.

O coração de Naiara pareceu ser esmagado por uma mão invisível, uma dor tão intensa que seus dedos tremiam incontrolavelmente.

— Eu achei que ela fosse resistir... A Felícia era uma pessoa tão boa, tão otimista.

— Todos nós queríamos que ela superasse isso, mas o desfecho já não pode ser mudado.

— Cícero.

A dor se alastrava por cada fibra do seu ser, mas parecia que ela não conseguia derramar mais nenhuma lágrima.

— Eu... não sei como tomar essa decisão.

Cícero ficou em silêncio por um instante.

— A Felícia iria querer que você desligasse os aparelhos.

Naiara mordeu o lábio inferior com força.

— Eu não consigo fazer isso...

— Eu assino os papéis. — Cícero ofereceu.

***

A brisa era suave e o sol aquecia, espalhando-se gentilmente através da janela de vidro. Parecia uma despedida silenciosa. Sem prantos copiosos, sem lágrimas escorrendo, tudo estava tão tranquilo, como se fosse apenas um até logo entre amigos.

A decisão foi tomada por Naiara.

A assinatura foi feita por Cícero.

E os aparelhos foram desligados pelo médico.

Antes de prosseguir, o médico perguntou a Naiara:

— A senhora prefere entrar e acompanhar, ou aguardar do lado de fora?

O profissional estava levando em consideração a capacidade emocional da família. Belmira, Leonardo e todos os presentes foram contra a ideia de Naiara entrar. Nos últimos dias, ela havia suportado um peso grande demais. Temiam que ela não aguentasse presenciar a cena.

No dia seguinte à morte de Felícia, Naiara recebeu uma ligação. Um telefonema que a fez enxergar um fio de luz no fundo do abismo.

Suas mãos tremiam sem parar enquanto atendia. Demorou uma eternidade até conseguir pronunciar o nome.

— Fábio.

A voz de Fábio Marques soou rouca e sombria.

— Naiara, me perdoe.

Naiara cravou a outra mão na borda da mesa, tentando manter-se de pé.

— Onde está o Afonso? — sua voz saiu contida.

O silêncio do outro lado da linha era aterrorizante. Quando Fábio voltou a falar, sua voz estava trêmula.

— Nós sofremos uma emboscada na estrada. Nós três fomos baleados. Quando recuperei a consciência, já haviam se passado dias. O Breno não resistiu. E o Afonso... ele...

A garganta de Naiara fechou, como se algo rígido estivesse bloqueando sua respiração.

— O que... o que aconteceu com ele?

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