A respiração pesada de Fábio ecoava no telefone.
— O Afonso desapareceu...
Naiara apertou o peito com força, como se tentasse impedir o próprio coração de parar.
— Como assim desapareceu?
— Depois que fomos feridos, o Afonso mandou o Breno me proteger enquanto ele mesmo tentava atrair os assassinos para longe — explicou Fábio, com a voz embargada.
Seguindo as ordens de Afonso, Breno havia usado o próprio corpo como escudo para salvar a vida de Fábio durante o momento mais crítico.
— Eu corri com o Breno nas costas o máximo que pude, até desmaiar de exaustão.
Quando Fábio finalmente recobrou a consciência no hospital, vários dias já haviam se passado. E as notícias eram devastadoras.
— O Breno... ele...
E Afonso Xavier havia sumido sem deixar rastros. Se estava vivo ou morto, ninguém sabia.
— Naiara, me desculpe... — a voz de Fábio carregava a dor da culpa. — Quando saí, te prometi que traria o Afonso de volta em segurança. E eu falhei. Ele só... ele só fez isso para me salvar.
Fábio parecia tentar convencer a si mesmo, e ao mesmo tempo oferecer alguma migalha de esperança a Naiara.
— Todos do Lar da Compaixão e Harmonia já estão vasculhando o local. Eu sei que vamos encontrá-lo.
O Lar da Compaixão e Harmonia. A instituição fundada por Afonso para acolher e reabilitar jovens sem-teto ou marginalizados. Para aqueles garotos, Afonso era um segundo pai. Eles revirariam o inferno para encontrá-lo.
Vivos ou mortos. Eles trariam respostas.
— Fábio. — As emoções entalaram na garganta de Naiara. O pânico e o desespero absolutos invadiram seus olhos, extinguindo qualquer brilho remanescente. Cada palavra parecia sugar a última gota de energia de seu corpo.
— Entendi. Eu... eu estou um pouco cansada. Vou tentar dormir um pouco.
--
Dois dias e duas noites se passaram. Naiara se trancou no quarto por vinte e quatro horas ininterruptas. Não comeu, não bebeu água e não pronunciou uma única palavra.
Quando Gualter e Pedro chegaram, o cenário mudou. Pedro Jasmim não queria saber de teorias sobre luto ou crescimento pessoal. Ele só queria saber se sua irmã estava bem. Ele precisava da irmã. Assim, optou pela força.
Ele começou a chutar a porta maciça com toda a força, tentando arrombá-la. O último e mais violento chute fez o reboco da parede cair e a fechadura de madeira estourar.
Dentro do quarto, a escuridão era total. As cortinas pesadas bloqueavam qualquer raio de luz. No sofá, encolhida, estava a silhueta frágil e devastada de Naiara. Ela estava tão imóvel quanto uma boneca sem vida.
Pedro se jogou em direção a ela.
— Irmã!
Gualter largou suas muletas e olhou para a mulher petrificada. Seu coração sangrou.
— Naiara...
Os olhos dela estavam ocos, perdidos no vácuo. Uma frieza cortante emanava de seu corpo, como se ela tivesse afundado num abismo congelado. Em sua mente, ela gritava e pedia socorro, mas suas cordas vocais não emitiam som algum.
Todas as suas esperanças haviam virado pó. O pilar que a sustentava ruiu por completo, e o desespero a engoliu como uma maré negra, implacável e gélida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...