— Pai, eu... — Naiara começou, mas as palavras falharam.
Henrique percebeu a hesitação em seus olhos.
— Está com medo de não conseguir e me decepcionar?
— Sim — ela admitiu, quase num sussurro.
O patriarca abriu um sorriso gentil e afetuoso.
— Minha criança tola, além de eu ter certeza de que fará um excelente trabalho, não importa se algo der errado. — Tentando aliviar a tensão, ele brincou: — Você deve se lembrar que a família Xavier tem recursos inesgotáveis. Mesmo que você torre toda a nossa fortuna, eu ainda tenho aquela reserva florestal. No pior dos cenários, nós todos nos mudamos para as montanhas para criar galinhas.
Naiara não conseguiu segurar uma risada fraca.
— O senhor que disse, pai. Quando eu tomar alguma decisão que o desagrade, não poderá reclamar.
Henrique respondeu, ainda em tom de brincadeira:
— E eu ousaria? Se eu dissesse qualquer coisa contra você, seu marido me mataria.
O silêncio caiu pesado no quarto. A atmosfera desmoronou.
Henrique imediatamente se arrependeu de ter tocado no nome do filho. Seu coração apertou por Naiara. Ele sabia que ela estava morrendo de preocupação, vivendo uma agonia diária à espera de notícias do marido, mas se mantinha inabalável. Tudo isso para não preocupá-lo, suportando a própria dor em absoluto silêncio.
— Pai, o Afonso vai ficar bem — disse ela, mantendo a fachada estoica.
Ela ainda agia como se não fosse nada, apenas para confortá-lo.
— Naiara — Henrique disse, a voz embargada. — Se o seu coração estiver doendo, pode chorar comigo.
O sorriso dela vacilou, forçado.
— O Afonso me prometeu que nunca me deixaria. Que nunca me abandonaria sozinha. Ele é um homem de palavra, então eu sei que ele vai voltar. Deve estar preso em algum contratempo e não consegue se comunicar. Assim que terminar o que foi fazer, ele virá até mim. Não precisamos nos preocupar. O próprio senhor já disse... o Afonso é duro na queda.
Antes que Henrique pudesse responder, uma enfermeira entrou apressada no quarto.
Para os médicos, dar péssimas notícias era parte da rotina, então sua expressão permaneceu técnica e vazia.
— A paciente entrou em um quadro terminal irreversível. Continuar com a ressuscitação significa apenas prolongar um sofrimento sem sentido. O tratamento não tem mais eficácia.
A mensagem do médico era clara como cristal. A recomendação era desligar os aparelhos e aliviar a dor da paciente.
Naiara ficou paralisada por longos minutos. Seu peito doía em espasmos agudos. Ela não conseguiria. Não conseguiria assinar a sentença. Pelo menos, com os aparelhos, Felícia ainda estava ali.
Mas se ela desligasse... Não! Impossível.
Uma mão firme e calorosa pousou em seu ombro, apertando de leve. A voz profunda e inabalável de Cícero preencheu o silêncio da sala.
— Doutor, nos dê um momento para pensar.
Do lado de fora da Unidade de Terapia Intensiva, Naiara estava sentada, catatônica. Separadas por um painel de vidro, pareciam estar em dois mundos diferentes, mas unidas pela mesma dor. Lá dentro, Felícia sofria fisicamente. Do lado de fora, Naiara era devorada pela agonia espiritual.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...