Cícero encontrou Gualter nas escadas de emergência do prédio.
Ele estava sentado nos degraus, prestes a acender um cigarro.
Cícero se aproximou e sentou-se ao lado dele.
— Me dá um.
Gualter apertou o maço entre os dedos.
— É o último.
Cícero arrancou o cigarro da mão dele e o colocou na própria boca.
— Acende aí.
O clique seco do isqueiro ecoou, e a chama acendeu o cigarro.
Cícero deu uma tragada profunda, com um vinco pesado entre as sobrancelhas.
— Gualter.
— Hum.
— A Quitéria era uma garota incrível. A partida dela machucou a todos nós, não só a você. Especialmente a Naiara. A dor que ela está sentindo não é menor que a sua.
— Porque ela acha que a culpa da morte da Quitéria é dela.
Tocar na ferida mais profunda fez o peito de Gualter apertar dolorosamente.
— Eu sei.
Cícero continuou: — Mas o senhor Henrique ainda está naquela cama de hospital. A vida de Felícia está por um fio. Ainda temos que organizar o funeral do Eduardo. E tem mais...
— Então, Gualter, você precisa se recompor.
— Agora, os únicos em quem a Naiara pode confiar cegamente somos nós.
Gualter assentiu:
— Eu sei.
Cícero hesitou por um momento.
— Tem outra coisa...
— Parece que algo deu errado com o Afonso.
O coração de Gualter deu um salto.
— Como assim...?
Cícero: — Perdi o contato com o Afonso, com o Fábio e com o Breno. Não consigo falar com nenhum dos três.
Gualter levou um longo tempo para processar a informação.
Não!
Não podia ser verdade!
Como a sua irmã iria suportar uma sequência de golpes tão cruéis?
O cunhado era o seu único pilar emocional agora.
Lembrou-se de que Henrique mencionara uma vez que, quando chegasse a hora, as cinzas de Eduardo deveriam repousar no santuário da família Xavier.
Por isso, ela pretendia levar a urna temporariamente para a Mansão Xavier e aguardar até que o sogro despertasse.
Vitor trocou olhares cúmplices com o pai.
Bernardo pigarreou: — Naiara, minha querida... Com a família passando por uma crise tão grande e o Afonso desaparecido, o Grupo não pode ficar sem um líder. O que acha de deixarmos o Vitor assumir o lugar do Afonso por enquanto?
Naiara sentiu uma onda de decepção.
O fato de Bernardo ter coragem de sugerir algo assim em um momento como aquele só provava a imensa falta de noção do homem.
Naiara não teve um pingo de clemência.
— Tio Bernardo, o senhor sabe melhor do que ninguém da capacidade, ou da falta dela, do seu filho. Acha mesmo que ele tem competência para administrar um império daquele tamanho?
Bernardo ficou visivelmente contrariado, mas engoliu a raiva.
Não porque fosse contido, mas porque não tinha coragem.
Ele sabia muito bem o quanto o irmão mais velho valorizava aquela nora.
Para bater no cachorro, era preciso respeitar o dono.
Isso Bernardo entendia muito bem.
— Não fale assim, querida. Eu admito que o Vitor não tem o mesmo faro para os negócios que o Afonso, mas o sangue dos Xavier também corre nas veias dele. Ele não seria um fracasso total.
— E, além do mais, como você vai saber que ele não dá conta se nem deixar o garoto tentar?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...