Tadeu agradeceu e enfiou mais algumas notas de cem na mão dele.
O pescador os ajudou a atracar e apontou uma direção.
Tadeu já havia consultado o mapa antes e sabia mais ou menos para onde ir.
Por precaução, ele não se atreveu a deixar que ninguém o levasse. Só lhe restou remar com dificuldade ao lado de Vitória.
Logo, o barco já era apenas um minúsculo ponto escuro em contraste com a ilha isolada. Foi só então que Hortência, tendo recebido a notícia com atraso, chegou correndo.
Àquela altura, ela já não conseguia distinguir a figura de Tadeu no horizonte.
Percebendo o que havia acontecido, Hortência ficou paralisada como se tivesse sido atingida por um raio. Em seguida, começou a berrar maldições: — Tadeu! Seu maldito, Tadeu! Você prometeu cuidar de mim para o resto da vida e agora foge me deixando para trás! Desgraçado! Desgraçado! Seu covarde sem coração!
O pescador que havia recebido o dinheiro de Tadeu achou a cena um pouco lamentável. Ele se aproximou de Hortência e tentou aconselhá-la: — Minha senhora, não fale assim, aquele rapaz fez isso para o seu próprio bem. Ele é seu sobrinho? Ele pensou em tudo, viu? Ele disse que os cobradores de dívidas estão atrás dele e que foi embora antes para não envolver a senhora. Olha só, aqui temos comida e bebida. Se quiser ficar, será bem-vinda. Se não quiser, é só esperar o dia em que alguém for para o mar e pegar uma carona.
O conselho bem-intencionado do pescador soou terrivelmente irritante aos ouvidos de Hortência. A mente dela estava consumida apenas pelo fato de que Tadeu teve a audácia de abandoná-la e fugir sozinho.
Desesperada, ela se jogou no chão e esbravejou: — Que sobrinho o quê?! Ele é meu marido! Vocês foram todos enganados por ele! Ele não está fugindo de dívida nenhuma, ele vai sair do país para viver no luxo! Ele me largou aqui de propósito! O barco, cadê o barco? Me levem embora daqui. Eu vou atrás dele agora mesmo!
O pescador ficou atônito com os gritos de Hortência e, logo em seguida, passou a encará-la como se visse uma lunática. Ela estava ali pedindo ajuda, mas com uma postura arrogante e autoritária. Quem estava louco, ela ou ele? Como se não bastasse a falta de educação, ela não ofereceu nenhuma vantagem financeira em troca. Eles não eram idiotas para sair correndo para prestar favores de graça.
Vendo que o homem a ignorava, Hortência disparou novamente: — Estou falando com você, ficou surdo? Me tire logo daqui, eu não quero ficar nesse fim de mundo de vocês. Eu preciso ir atrás dele.
Aquela atitude histérica e irracional irritou os pescadores ao redor. Foi a Velha Senhora quem acenou com a mão, encerrando o assunto: — Chega. Dá para ver que essa moça não escuta a razão. É melhor a gente não se meter na vida dos outros. Deixa ela aí pensando sozinha. Vamos dispersar, pessoal, podem ir embora.
Aquela gente, que vivera uma vida inteira de simplicidade, repudiava o comportamento arrogante de Hortência. Qualquer traço de pena que sentissem por ela havia sido completamente apagado por sua histeria.
O grupo se dispersou em silêncio, cada um voltando para a sua casa. Hortência continuou sentada na areia, surtando sozinha. Foi nesse momento que uma sombra projetou-se sobre suas costas. Um homem de meia-idade, com um matinho seco no canto da boca, parou atrás dela.
Ele era excessivamente magro, com um ar malandro e o típico semblante de quem não prestava.
Depois de medir Hortência de cima a baixo, seu olhar parou nas sacolas de roupas novas que ela havia comprado naquele dia. Um brilho calculista cruzou os olhos do homem, e ele disse: — Moça, você não tá querendo ir embora? Que coincidência, eu tô de saída pro mar. Quer vir comigo?

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