— Agora a Farmacêuticos Rodrigues já está no meu bolso, e tenho confiança de que farei a empresa crescer e se fortalecer.
— E hoje, não há mais ninguém ao meu lado que possa questionar as minhas decisões. Contanto que você queira ficar comigo, posso compartilhar tudo isso com você.
— O Ícaro, no entanto, é diferente.
— Por trás dele está a gigantesca família Marques. Quando tudo isso for dividido camada por camada, quanto sobrará nas mãos dele e do Sérgio para você?
— O caminho da vida é longo, você ainda tem a maior parte dela pela frente, Glaucia. Chegou a hora de escolher o caminho mais vantajoso para si mesma.
Glaucia quis dizer que a questão não era o quanto da fortuna do Grupo Marques chegaria às suas mãos, mas sim que o Velho Senhor já havia entregue o direito de sucessão a ela.
Mas, como no momento era ela quem precisava de Tadeu e ainda não era hora de romper relações de vez, Glaucia permaneceu em silêncio, fingindo não ter ouvido as palavras dele. Quanto à taça de vinho que Tadeu lhe ofereceu, ela sequer tocou.
Um traço de irritação surgiu nos olhos de Tadeu, e ele continuou: — Glaucia, durante esta semana, espero que você fique ao meu lado com o status de minha namorada.
— Se você continuar me tratando com essa atitude, então desista de saber notícias do seu pai para o resto da vida.
— Posso garantir que, além de mim, ninguém mais sabe o paradeiro dele no momento.
Ele moveu a cadeira de rodas, aproximando-se um pouco mais de Glaucia, e estendeu a mão para apertar o queixo dela, mas Glaucia se esquivou.
Glaucia pontuou: — Tadeu, quem vive dizendo que gosta de mim é você. Quem diz querer reatar é você.
— Mas a única coisa que você me traz é coerção.
— Se essa será sempre a sua atitude, quem teria coragem de ser sua namorada?
— Eu não tenho tendências masoquistas.
— Tudo bem, tudo bem, o erro foi meu agora há pouco. Vamos começar de novo. Primeiro, vamos comer, Glaucia. Depois do jantar, te levo para comprar roupas. — Tadeu respirou fundo, surpreendentemente escolhendo ceder.
Ele manobrava a cadeira de rodas com certa dificuldade, mas insistia em servir a comida pessoalmente no prato de Glaucia.
Toda aquela postura excessivamente solícita deixou Glaucia extremamente desconfortável.
Sem paciência para continuar discutindo com Tadeu, ela agiu o tempo todo como uma marionete, acatando os arranjos dele.
Após a refeição, Tadeu a levou a um shopping para comprar roupas.
Ele relembrou com um tom nostálgico: — Glaucia, lembra de quando começamos a namorar?
— Naquela época, você era tão ingênua, estava sempre pisando em ovos. Se eu te desse qualquer coisinha, você nem tinha coragem de aceitar.
Tadeu continuou a falar sozinho: — Antes eu não entendia, mas depois descobri que tudo o que vem da Glaucia é um tesouro inestimável.
— Me lembro de que, antes do nosso divórcio, você fez um broche para o Ícaro, não foi?
— Na época, eu é que era o seu marido. Aquele broche deveria pertencer a mim. Portanto, Glaucia, faça um para mim também.
Conforme falava, ele começava a desenterrar o passado e, sem o menor pingo de vergonha, estendeu a mão na direção de Glaucia.
Glaucia espalmou as mãos: — Desculpe, faz muito tempo que não toco nisso. Perdi a prática, não consigo fazer.
— Não tem problema, contanto que seja feito por você, gostarei de qualquer jeito. Já mandei prepararem um estúdio, que tal eu te levar para dar uma olhada? — Tadeu insistiu.
Glaucia avaliou com irritação: — Você é muito cara de pau, fala em me reconquistar enquanto estende a mão para me pedir coisas.
— Por acaso você não sabe que um presente só é um presente quando a pessoa o entrega de livre e espontânea vontade?
— Vamos, Glaucia, vou te levar para ver seu novo estúdio. — Tadeu não demonstrou a menor vergonha. Ele abriu a mão em direção a Glaucia novamente, indicando que ela deveria colocar a sua sobre a dele.
Glaucia recusou com frieza: — Chega, estou cansada. Desde que desci do avião, estou fazendo o papel de atriz na sua brincadeira. Agora quero descansar.
— Foi um descuido meu. Vou levar a Glaucia para descansar primeiro. Falamos sobre o broche amanhã. — Concluiu Tadeu.

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