Alexandre lançou um olhar fulminante para Tadeu Pires, com preguiça de dar atenção às suas palavras. Ele apenas se virou para Glaucia Mota e disse: — Glaucia, tenho um compromisso e vou na frente. Conversamos na próxima.
Ele originalmente tinha vindo buscá-la no aeroporto, mas, com a intromissão de Tadeu, Alexandre decidiu deixar esse momento para Glaucia.
— Vá com cuidado, Alexandre. Tomaremos um chá quando houver oportunidade. — Tadeu não demonstrou o menor receio. Ele foi extremamente franco e ainda fez um convite a Alexandre.
Quando a silhueta de Alexandre desapareceu, seu olhar finalmente se voltou para ela: — Bem-vinda de volta à Cidade G, Glaucia.
Claramente, ele mesmo era um forasteiro na Cidade G, mas agora fazia questão de assumir a postura de dono da casa.
Glaucia não estava com paciência para trocar amenidades com Tadeu. Ela foi direto ao ponto: — Eu cheguei. Onde está meu pai?
— Não tenha pressa, Glaucia. Faz tanto tempo que não nos vemos, precisamos colocar a conversa em dia primeiro. — Tadeu disse, com o canto do olho recaindo sobre Ícaro Marques. O tom provocativo em suas palavras tornou-se ainda mais evidente: — Você desconfia tanto assim de mim, a ponto de precisar trazer um ajudante para vir me ver?
— Isso não é óbvio? Você fala demais. — Glaucia respondeu impaciente.
Agora era ela quem precisava de Tadeu, mas o fato de ele se recusar a ir direto ao ponto dava a Glaucia uma dor de cabeça imensa.
Tadeu sugeriu: — E se eu pedir para você se separar dele?
— Glaucia, você não quer saber o paradeiro do seu pai? Que tal assim: você me faz companhia por uma semana, e eu te conto. O que acha?
A expressão de Glaucia escureceu gradualmente: — Tadeu, não estou com humor para suas brincadeiras. Se você insiste em fazer esse tipo de exigência, então é melhor eu procurar o Vinicius Rodrigues novamente.
— Não se apresse. Eu não vou fazer nada com você, apenas quero que me faça companhia para comer e fazer compras, exatamente como antes.
— Em no máximo uma semana, contarei tudo a você.
— São notícias sobre o seu pai, Glaucia. Você não sai perdendo nesse acordo.
— Ou você está preocupada que seu namorado não concorde?
— Glaucia, no fundo, você não acha que a segurança do seu pai é menos importante que esse seu namorado, acha?
Enquanto falava, Tadeu lançou mais uma vez um olhar provocativo na direção de Ícaro.
No passado, Ícaro havia levado Glaucia embora de forma arrogante bem na sua frente. Hoje, ele faria questão de devolver a humilhação daquele dia.
Ao jogar uma escolha impossível no colo de Glaucia, Tadeu, em seu íntimo, já havia adivinhado a decisão dela.
Sentado em sua cadeira de rodas, ao encarar Ícaro, ele exibia um ar de provocação condescendente.
— Você é um canalha. — Glaucia declarou.
Tadeu rebateu: — Glaucia, dizer isso não tem sentido algum. Faça a sua escolha.
Se qualquer estranho passasse por ali e visse a cena, provavelmente pensaria que Glaucia e Tadeu eram um casal extremamente apaixonado.
— O que exatamente você quer fazer? — Glaucia questionou.
Tadeu explicou: — Glaucia, as minhas intenções não estão óbvias? Eu quero reatar com você. Mas você nunca me dá essa chance e muito menos está disposta a me conhecer de novo.
— Então, fui obrigado a forçá-la a me dar uma semana para cultivarmos nossos sentimentos.
— Você pensa que é simples assim. Esqueça uma semana; mesmo que me desse a vida inteira, eu não teria sentimento algum por você.
— Aconselho que não perca o seu tempo. Diga-me logo o paradeiro do meu pai, quem sabe assim eu até sinta um pouco de gratidão por você. — Glaucia rebateu.
— Não seja tão absoluta. Você ainda não viu a minha sinceridade, como pode saber que não vai dar certo?
— Durante esta semana, o seu tempo é meu. Vamos esquecer os aborrecimentos do passado e recomeçar. Eu garanto, Glaucia, no que diz respeito a ser um bom namorado, eu sou muito melhor do que aquele Ícaro. — Tadeu insistiu.
Desde que viu Tadeu, o cenho de Glaucia não relaxou em momento algum.
Era a primeira vez que ela via alguém conseguir ser tão confiante como Tadeu.
Nesse momento, Tadeu já havia dispensado os guarda-costas da sala. Ele mesmo serviu uma taça de vinho tinto para Glaucia, analisando os prós e contras como se fosse a coisa mais natural do mundo: — Glaucia, você já deve ter ouvido falar da minha situação.

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