Tadeu perguntou a Napoleão e Vitória, mas seu olhar questionador pousou em Hortência.
Ele nunca havia entrado em contato com Napoleão, muito menos deixaria que o pai soubesse seu endereço. O problema certamente vinha de Hortência.
Com uma expressão culpada, Hortência murmurou:
— Tadeu, me desculpe. Eu encontrei a sua mãe quando saí para fazer compras. Ela insistiu em voltar comigo para dar uma olhada. Pensei que seus pais não fossem estranhos e, como não se viam há tanto tempo, seria justo passarmos o feriado juntos. Então, eu os trouxe.
— Você realmente adora tomar decisões por conta própria — Tadeu zombou friamente, fazendo o rosto de Hortência queimar de vergonha.
Ainda insatisfeita, ela sussurrou em sua defesa:
— Mas eu só fiz isso para o seu bem, não foi? São seus pais. Eles nem gostam de mim. Se não fosse por você, eu nem me daria ao trabalho de falar com eles.
Ela se sentia injustiçada e não poupou os sentimentos de Napoleão e Vitória, dizendo tudo aquilo na frente deles. Os rostos dos dois idosos mudaram drasticamente.
No entanto, a fúria de Napoleão acabou recaindo sobre Tadeu:
— Eu sou seu pai! Vir visitá-lo não é o meu direito? Que tipo de atitude é essa?
Tadeu rebateu:
— O quê? Agora lembraram de me visitar? Não foi assim quando vocês vieram para a Cidade G e me evitaram, certo?
— Tadeu, como você pode falar assim com o seu pai? Mesmo que tenhamos evitado você no início, foi para o seu próprio bem. Não importa o que aconteça, você é nosso filho. É claro que nos importamos com você. Nos evitar dessa maneira parte os nossos corações — Vitória repreendeu, com os olhos vermelhos, prestes a chorar após a provocação do filho.
Tadeu já estava impaciente devido às missões de Vinicius e não tinha paciência para as emoções de Vitória. Ele disse asperamente:
— Bom, já vieram, já olharam. Podem ir embora agora?
— Tadeu, como... como você pode... — Vitória soluçou.
Napoleão a interrompeu e questionou Tadeu de forma ríspida:
— O que exatamente você tem feito ultimamente?
As palavras de Tadeu continuaram afiadas:
— Vocês me trataram como um fardo, me ignoraram. Agora não posso nem trabalhar para ganhar meu próprio dinheiro? Pai, mãe, o Grupo Pires já não existe mais. Não há nada de errado em eu ganhar meu dinheiro. Vocês não precisavam vir até aqui só para me controlar.
— Você entrou para a Farmacêuticos Rodrigues? — Napoleão insistiu.
— E se eu tiver entrado? — respondeu Tadeu.
Napoleão mal conseguia terminar a frase.
Quando teve alta, Tadeu fez questão de que o hospital escondesse a informação do pai.
Napoleão só descobriu que Tadeu havia ido para a Farmacêuticos Rodrigues quando ouviu dizer que um novo protegido havia surgido por lá.
A pessoa sob a qual ele próprio havia buscado proteção também era subordinada de Carlão e tinha certos contatos com Vinicius.
Napoleão conseguia imaginar perfeitamente o tipo de negócios sujos que Vinicius comandava.
Com o próprio filho trabalhando para aquele tipo de gente, ele sabia que era impossível Tadeu continuar limpo, mas ainda alimentava uma falsa esperança.
A força de Napoleão fez a cadeira de rodas de Tadeu balançar.
Embora Vitória olhasse para Tadeu com pena, ela não fez menção de impedir Napoleão; apenas chorou ainda mais.
Foi Hortência quem demonstrou estar completamente por fora da situação:
— Pai, por que o senhor está gritando com o Tadeu? Ele só entrou para uma empresa que vende remédios! E o Tadeu está indo muito bem agora. O senhor não está vendo esta mansão onde moramos? Ele está na empresa há apenas dois dias e o chefe já nos deu uma casa enorme e até um carro. Com a inteligência do Tadeu, é só uma questão de tempo até termos tanto dinheiro quanto antes. Pai, o senhor não deveria estar feliz por ele? E mãe, por que a senhora está chorando? Isso não é uma coisa boa?

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