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Eles Pareciam uma Família, E Eu Virei a Estranha romance Capítulo 408

Nos anos em que foi casado com Glaucia, bastava ele ter um pequeno resfriado para que ela cuidasse dele com perfeição, sem nunca demonstrar impaciência.

Muito diferente de Hortência, que, mesmo tendo nascido para ser babá, não conseguia fazer absolutamente nada direito.

Glaucia, mantendo sua postura de sempre, recusou o convite de Tadeu com uma voz fria, mas deixou escapar "sem querer" que as coisas no evento não haviam saído bem e que ela iria a um famoso lounge bar local para beber.

Com a ligação encerrada, Glaucia trocou de roupa e foi para o bar que havia mencionado.

Ela mal havia pedido uma bebida quando Tadeu chegou. Quem empurrava sua cadeira de rodas era uma jovem que Glaucia nunca vira na vida, provavelmente uma cuidadora contratada na cidade.

Ao ver Tadeu, Glaucia deixou transparecer a dose exata de surpresa no rosto.

A cuidadora, seguindo as ordens, posicionou a cadeira de Tadeu na mesa de Glaucia e se retirou para aguardar do lado de fora.

Glaucia franziu a testa, os olhos ainda carregados de impaciência:

— O que você está fazendo aqui?

— Glaucia, eu vim até aqui apenas para conversar com você e, quem sabe, te ajudar a resolver os seus problemas. — disse Tadeu.

Ao tentar se mostrar útil, o tom dele já não carregava a empáfia de outrora. Em vez disso, seus olhos sombrios percorriam o corpo de Glaucia.

Como se escondessem cálculos indizíveis.

E, ao mesmo tempo, um sutil complexo de inferioridade.

Glaucia esfregou as têmporas, aparentando exaustão, enquanto um brilho de sarcasmo cruzava seu olhar:

— Pare de teatro, Tadeu. Quando você fugiu para a Cidade G, parecia um cachorro chutado. Se nem eu consegui contatos aqui, que tipo de influência você acha que tem?

Ela o rebaixou sem cerimônia, mas Tadeu não se irritou. Pelo contrário, um sorriso peculiar se formou em seus lábios, e seus olhos ganharam um brilho macabro que daria calafrios em qualquer um.

— Glaucia, você também estava no evento hoje, não estava? Deve ter visto que o meu pai tem portas abertas por aqui. Eu, claro, posso fazer as apresentações para você. — disse Tadeu.

Glaucia franziu o cenho, olhando para ele com ainda mais incredulidade:

— Desde quando você é tão bondoso?

— Glaucia, você está com tanta pressa de expandir os negócios na Cidade G porque a família do Ícaro está dificultando as coisas para você? Se quer saber, você não precisa se sujeitar a isso. Eu já entendi o que o meu coração quer; se você ficar comigo, eu prometo te tratar bem. E além do mais...

Ele abaixou a cabeça e olhou para as próprias pernas:

— Veja, eu não tenho mais as minhas pernas. De agora em diante, precisarei dos seus olhos para ir a qualquer lugar. Sem as minhas pernas, você nunca mais precisará se preocupar com traições.

Ele estava usando a própria deficiência como uma "vantagem competitiva". Glaucia quase riu na cara dele.

Falava tanto em não trair, mas não era ele quem estava ali, escondido de Hortência, tentando reconquistá-la?

Glaucia concluiu que o psicológico de Tadeu era, no mínimo, peculiar.

Todos diziam que a amputação o tornara um homem violento e instável, mas olhando para ele agora, onde estava esse desconforto?

Glaucia deu respostas vagas e evasivas, até finalmente dizer:

— Tadeu, promessas vazias qualquer um faz. Não estou interessada em falar de sentimentos agora. Mas se você realmente conseguir me apresentar a essas pessoas, eu saberei retribuir o favor.

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