Observando a atitude sem noção de Tatiana, o Velho Senhor perdeu completamente a paciência para lidar com ela e simplesmente a expulsou.
Tatiana observou a expressão do Velho Senhor, que havia se tornado gélida. Seu olhar vacilou, e ela começou a sentir o peso da culpa.
Com o canto do olho, lançou mais um olhar para Glaucia, enquanto uma dúvida silenciosa crescia em seu íntimo.
Na sua memória, o Velho Senhor nunca havia se importado com Glaucia, e até desgostava daquela criança de origem duvidosa. Como ele parecia ser uma pessoa completamente diferente agora, protegendo-a de todas as formas?
Que artimanha essa mulher possuía? Não apenas havia domado o seu filho indomável, como agora até o Velho Senhor havia sido conquistado.
Embora a insatisfação fervesse em seu peito, Tatiana não teve coragem de retrucar o Velho Senhor. Deixou o Condomínio Brilho a contragosto.
Só então o Velho Senhor se virou para Glaucia com o semblante mais ameno:
— Você voltou, Glaucia. Essa minha nora estúpida chegou em péssima hora. Sua mãe parece ter se assustado. Ícaro está lá tentando acalmá-la, vá dar uma olhada.
A maior preocupação de Glaucia no momento era Isaura. Ela se despediu apressadamente do Velho Senhor e seguiu para o quarto da mãe.
Ícaro e Sérgio já estavam no quarto. Isaura mantinha a cabeça baixa, ocultando suas expressões, mas era evidente que seu humor estava péssimo.
Sérgio segurava seu livrinho de ilustrações, tentando contar piadas para animar a avó.
Ao ouvir os passos de Glaucia, Sérgio largou o livro, franziu a testa e disse:
— Mamãe, a vovó má assustou a vovó Isaura. Ela está triste e o Sérgio não sabe mais o que fazer.
— Sérgio, saia primeiro com o seu pai. Deixe que a mamãe acalma a vovó. — respondeu Glaucia.
Sérgio assentiu e, olhando para trás a cada passo, saiu do quarto de mãos dadas com Ícaro.
Ao passarem um pelo outro, Ícaro sussurrou algo no ouvido de Glaucia, enquanto seu olhar pousava, denso e protetor, no canto dos olhos dela.
Ela com certeza havia chorado; as bordas dos seus olhos estavam levemente avermelhadas.
— Não é nada grave. Quero apenas expandir os negócios. Devo conseguir voltar antes do Ano Novo. Durante esse período, deixarei o Sérgio aos seus cuidados. Se a senhora não confia no Ícaro, preste bastante atenção na forma como ele lida com o Sérgio.
Glaucia disse isso de propósito.
Ela via perfeitamente bem como Ícaro tratava Sérgio e tinha plena confiança de que ele acabaria tocando o coração de Isaura. Falar daquela forma era apenas um meio de dar uma ocupação à mãe, impedindo-a de se perder em pensamentos catastróficos.
Embora Isaura ainda estivesse relutante em deixar Glaucia partir, ela não interferiu excessivamente na decisão da filha.
Quando Glaucia finalmente saiu do quarto de Isaura, encontrou Ícaro encostado sozinho no batente da porta. Seus olhos transbordavam de uma preocupação genuína.
Ele sempre fora perspicaz. Qualquer oscilação na postura de Glaucia era facilmente notada por ele.
Glaucia não tentou esconder nada e resumiu os eventos do dia para ele:
— Eu preciso ir para a Cidade G. Deixo minha mãe e o Sérgio aos seus cuidados.

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