O carro finalmente entrou na garagem da Nexus Tech. O estacionamento estava mais iluminado que o normal, os seguranças em posição, o clima de emergência evidente em cada detalhe. Dante abriu a porta antes mesmo que o veículo parasse completamente.
No andar da presidência, o alvoroço era geral. Dante saiu do elevador com passos largos, o corredor se estendendo à frente como um túnel de vidro e aço.
Os funcionários que ainda estavam ali se afastaram do caminho, os olhos baixos, a respiração contida.
O diretor de segurança o aguardava na sala de reuniões, mas Dante passou direto. Ele já sabia onde precisava ir.
Clara seguia com dificuldade, os saltos batendo apressados no piso de mármore, tentando acompanhar o ritmo que ele impunha. Quando finalmente alcançou o corredor da presidência, viu.
Lorena estava ali, andando de um lado para o outro em frente à porta, os olhos marejados, o rosto pálido. Theo estava ao lado dela, falando algo em tom baixo, tentando acalmar.
Dante não diminuiu o passo. Passou por Theo sem olhar, passou por Lorena sem uma palavra, mas a mão já estava na maçaneta.
- Lorena - chamou, sem se virar. - Entra.
A porta se abriu. Ele entrou. Ela foi em seguida.
Dante estava de costas, imóvel, as mãos apoiadas na mesa. Lorena fechou a porta atrás de si, e o clique da fechadura pareceu ecoar mais do que deveria.
- Dante, eu… - começou, a voz falhando.
A frase não se completou. Porque ele se virou.
E antes que ela pudesse dizer mais qualquer coisa, Dante a abraçou. Não foi um gesto contido, calculado, profissional. Foi um abraço apertado, firme, como se estivesse segurando algo que estava prestes a se perder. O rosto dele afundou nos cabelos dela, o perfume invadindo os sentidos, a respiração presa por um segundo.
Lorena ficou imóvel, os braços ainda caídos ao lado do corpo, os olhos arregalados. Mas o corpo, traidor, já respondia antes da mente. Os ombros relaxaram. A respiração começou a se regular. As lágrimas que ela segurava finalmente encontraram permissão para cair.
- Não foi você - ele murmurou contra os cabelos dela, a voz mais baixa do que ela jamais ouvira. - Nós sabemos exatamente quem foi.
O som da voz dele, firme, certeiro, desmontou o último pedaço de resistência. O braço não imobilizado finalmente se moveu, retribuindo o abraço com uma intensidade que surpreendeu os dois.
Dante fechou os olhos. O perfume dela. O calor. A presença. Era a primeira vez que a tinha nos braços daquele jeito, não como salvador, não como chefe, não como alguém que precisava manter distância. Apenas como ele. Se pudesse, teria congelado o tempo ali, naquele segundo em que nada mais existia além dos dois.
Não sabiam quanto tempo ficaram assim. Segundos. Minutos. Uma eternidade em câmera lenta.
Quando se soltaram, foi com relutância. Dante alcançou um lenço de papel e entregou a ela, os dedos roçando os dela por um instante a mais do que o necessário.
Lorena enxugou o rosto, a respiração mais controlada agora, o abraço estranhamente reconfortante ainda pulsando na pele.
- Você não precisa me dizer que não fez isso - ele disse, a voz de volta ao tom controlado, mas ainda mais suave do que o habitual. - Nós sabemos a verdade.


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