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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 58

O restaurante era discreto e com um ambiente aconchegante. Entrada recuada, luz baixa, mesas distantes umas das outras o suficiente para que conversas não viajassem. O tipo de lugar conveniente para amantes apaixonados.

Clara havia escolhido pessoalmente.

E também havia feito questão de que Lorena cuidasse da reserva.

- Pode ser às oito - disse, com um sorriso que não chegava aos olhos. - Mesa para dois.

Lorena anotou, profissional, eficiente. Não havia motivo para estranhar. Era trabalho, afinal. A Demolidora era uma executiva importante, e ela era assistente. Normal.

Normal.

Então por que aquela sensação incômoda não passava?

Ela fechou o bloco de notas e ergueu os olhos. Clara ainda estava ali, inclinada sobre a mesa, os dedos tamborilando suavemente na superfície de madeira. O vestido era escuro, elegante, o cabelo perfeitamente alinhado. Tudo nela parecia calculado para chamar atenção sem parecer esforço.

- Obrigada, Lorena - disse, com uma doçura que soava ensaiada. - Sei que posso contar com você.

Lorena forçou um sorriso.

- Claro.

Clara se afastou, os passos medidos, os saltos ecoando no corredor.Lorena forçou um sorriso, anotando os detalhes com a mão esquerda, ainda desajeitada, mas já mais firme do que nos primeiros dias, os olhos fixos no ponto onde a mulher havia desaparecido.

Ciúmes.

A palavra surgiu sozinha, sem permissão, e ela a empurrou para longe imediatamente. Não era ciúmes. Não podia ser. Não fazia sentido.

Ela balançou a cabeça, fechou o bloco, e voltou para o próprio trabalho.

Dante não tinha nada com ela.

Ela não tinha nada com Dante.

O que ele fazia em seu tempo livre, com quem jantava, se alguém usava vestido escuro e cabelo perfeito para chamar sua atenção - nada disso era da conta dela.

Lorena abriu o laptop com mais força do que precisava.

Era só trabalho o que ela tinha com Dante e mais precisava procurar outro emprego assim que as coisas estivessem resolvidas com Rafael, ela não queria mais nenhum envolvimento com os membros da família Menezes.

***

Dante chegou pontualmente às oito, Clara ja estava esperando.

O restaurante estava exatamente como ela imaginara: silencioso, elegante, privado. A mesa escolhida ficava no fundo, perto da janela, longe de olhares curiosos. O garçom serviu o vinho com a precisão de quem já fazia aquilo há anos, e Clara esperou que ele se afastasse para erguer a taça.

- Pelo nosso contrato - disse, o sorriso no lugar.

Dante tocou o próprio copo no dela. O tilintar foi breve, quase seco.

- Pelo contrato.

Clara tomou um gole, observando-o por cima da borda da taça. Dante não bebeu. Apenas girou o vinho no copo, os olhos fixos em algum ponto distante, como se já estivesse pensando no próximo compromisso.

- Você parece cansado - ela comentou, apoiando o queixo na mão. - Trabalhando demais?

- Sempre.

A resposta veio curta, sem abertura para prolongamento. Clara não se incomodou. Já esperava.

- É uma pena - continuou, recostando-se na cadeira. - Uma pessoa tão jovem, tão bem-sucedida… deveria aproveitar mais a vida.

Dante finalmente a olhou.

- Eu aproveito.

- Do jeito que você trabalha? - ela riu, baixo. - Tenho minhas dúvidas.

Ele não respondeu. Apenas pegou o cardápio, como se a conversa já tivesse se encerrado.

Clara sustentou o sorriso, mas por dentro algo se apertava. Ela não estava acostumada a ter que insistir. Os homens, em geral, vinham até ela. Ou, pelo menos, demonstravam algum interesse quando ela se inclinava na direção certa.

Dante não se inclinava.

Ele estava ali, na mesma mesa, mas parecia a anos-luz de distância.

O garçom voltou para anotar os pedidos. Dante pediu um filé ao ponto, salada simples. Clara escolheu o prato mais sofisticado do cardápio, o vinho mais caro, a sobremesa que exigia preparo especial.

Cada escolha era uma tentativa de puxá-lo para o jogo.

Cinquenta e nove 1

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