Os dias seguintes foram uma espera interminável.
Lorena não estava dormindo direito, e isso também tirava o sono de Dante. Cada vez que o telefone vibrava, o coração disparava. Mas nunca era o hospital.
No quarto dia, o resultado chegou.
Dante estava no escritório quando o e-mail entrou. Abriu com os dedos trêmulos. Leu uma vez. Leu outra. Leu uma terceira, para ter certeza.
Compatibilidade: 99,99%.
O indivíduo analisado é o pai biológico do recém-nascido.
Ele ligou para Lorena.
- Saiu.
- E?
- É ele.
O suspiro do outro lado da linha foi tão alto que Dante conseguiu ouvir.
No hospital, Nina já tinha recebido alta.
Ela estava arrumando a mala quando Dante entrou. Roupas dobradas às pressas, maquiagem sendo guardada meticulosamente na nécessaire. Ela não desviou os olhos dos próprios pertences. Já sabia que ele ia aparecer.
- Já soube sobre o DNA - ela disse, a voz fria.
Dante não respondeu. Ficou parado na porta, uma pasta nas mãos, a expressão fechada.
Nina virou o rosto devagar. Os olhos estavam secos, cansados, as olheiras escuras. O batom tinha borrado no canto da boca o descuido de quem já não se importava em fingir ser perfeita.
- O que você quer, Dante?
- Quero que você ceda a guarda para o pai da criança.
Nina riu. Um riso curto, sem humor, que ecoou pelas paredes do quarto vazio.
- Você não tem medo? - perguntou, inclinando a cabeça. - Agora que a Lorena sabe que o ex-marido não é o pai daquela criança…

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