Nos dias seguintes, enquanto se recuperava, Helder finalmente voltou a atuar na sua profissão original, cuidando dela em casa o tempo todo sem descansar.
A atitude de Janaina continuava morna. Ela não mostrava nenhuma reação, independentemente do que ele fizesse ou dissesse.
— Janaina. — Havia um certo grau de impotência na expressão de Helder.
— O que eu preciso fazer para você me perdoar? Pode falar logo?
Para dizer a verdade.
Se ela ainda não soubesse do verdadeiro caráter dele, essas palavras doces seriam capazes de confundi-la.
Mas, infelizmente—
Gostar de alguém pode acontecer em um segundo.
Perder o encanto, da mesma forma, não é nada complicado.
Olhar para Helder agora não passava de observar uma piada.
A piada era ele e ela mesma.
Janaina olhou para aquele rosto conhecido e disse de maneira pacífica:
— Te perdoar até que não é impossível.
— Eu comi coisas muito sem graça nesses dois dias. Estou com muita vontade de comer o leitão assado típico paulista daquela churrascaria na zona sul da cidade. Se você comprar e trouxer para mim, eu deixo de ficar com raiva.
A tradicional churrascaria paulista era muito conhecida na região. Mesmo reservando com dias de antecedência, o estabelecimento só mantém o pedido reservado por até sessenta minutos.
O problema é que ir de onde estavam demoraria mais de uma hora de carro.
Não podia chegar cedo, nem tarde demais.
Helder ficou com o rosto fechado, mas no final não recusou.
— Está bem, espere por mim.
Ele vestiu o casaco e saiu. Janaina chamou a cozinheira da casa para avisar que a refeição de hoje seria atrasada em uma hora.
A cozinheira se surpreendeu um pouco.
— Mas o Dr. Veloso acabou de falar que... não precisaria fazer jantar hoje.
— Ele saiu. Eu ainda vou comer.
Janaina soltou um leve sorriso.
— Por favor, prepare como eu disse. Desculpe o incômodo.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Quer Meu Coração, Eu Caso com Cego Rico