— Hã??
Giovanna sentou-se ereta. — O que você disse?
Janaina não se moveu, seu tom calmo soando como se estivesse falando de outra pessoa: — O meu avô tinha um colega de exército com quem se dava muito bem. Quando eram jovens, os avós combinaram um casamento arranjado entre as duas famílias. Após a morte do meu avô, ninguém mais citou o acordo e o plano acabou ficando esquecido.
Mas...
— Mas o quê?
— Mas o filho mais velho da Família Valente ficou cego.
— ... — A expressão de Giovanna era complexa. — Cego, naturalmente é mais difícil arranjar uma esposa, então lembraram desse acordo?
— Sim.
— A sua família não tem duas filhas? Por que deixariam você se casar?
— Você acha que Otávio Assis deixaria a Renata se casar com ele?
Claro que ele não deixaria.
Caso contrário, ele não teria tentado de tudo para adiar esse casamento várias vezes.
— Que lixo... — Giovanna soltou o ar depois de um tempo, com uma voz baixa, sem saber quem estava xingando.
Janaina não falou mais nada, seus olhos refletindo as sombras irregulares do teto.
As duas terminaram o café e perderam a vontade de continuar fazendo compras.
Comeram e cada uma foi para sua casa.
Chegando à porta do Solar, Janaina viu de relance o carro estacionado no pátio. Era Otávio Assis que havia retornado.
Ela parou por um momento e empurrou a porta.
O clima na sala estava pesado. Otávio nem tinha tido tempo de trocar a roupa formal e estava sentado no sofá, claramente com cara de quem ia cobrar explicações.
— Janaina, vem cá.
Assim que viu a filha entrar pela porta, ele indicou o lugar à sua frente com um olhar sombrio. — Senta.
Janaina foi até lá, sentou-se e cruzou as pernas.

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