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Ele Me Traiu… ou Eu Enlouqueci? romance Capítulo 336

Henrique suspirou.

Foi a primeira vez que Isabela viu aquela expressão no rosto dele.

Não podia xingar, não podia expulsar.

Ele não sabia o que fazer com ela.

Naquela noite, Henrique não a deixou na neve, nem a levou para a delegacia para amargar um chá de cadeira.

Ele a levou a uma loja de conveniência 24 horas perto da Universidade de Santa Aurora, comprou uma porção de oden para ela e sentou-se ao seu lado.

— Coma sentada. Vou verificar no hotel ao lado se ainda há quartos disponíveis.

Isabela mordeu uma bolinha de peixe e apontou para a garrafa térmica:

— Você vai beber isso?

Henrique olhou para a garrafa em sua mão. Diante do olhar expectante de Isabela, abriu a tampa e, sem expressão, tomou um gole.

— Está bom?

— Ruim.

Era realmente ruim. Tinha gengibre demais, pouco açúcar, e ele detestava gosto de gengibre.

Isabela sabia que estava ruim, mas ele franziu a testa e bebeu gole após gole, até esvaziar o recipiente.

Naquele momento, observando o movimento do pomo de adão dele e o vapor branco que saía de sua boca, Isabela pensou:

"É ele para a vida toda."

Mesmo que fosse uma pedra, ela a guardaria no bolso.

Henrique alugou um quarto para ela no hotel ao lado, usando a identidade dele. Entregou-lhe o cartão do quarto, acompanhou-a até o elevador e foi embora.

No dia seguinte, quando Isabela voltou, encontrou a garrafa térmica lavada e limpa no posto de comando, com uma nota de vinte reais embaixo.

Ele disse que não precisava pagar pela hospedagem, mas também não queria tirar vantagem dela; aquela xícara de chá de gengibre, ele pagou daquela forma.

Isabela pegou os vinte reais, girou duas vezes no lugar de tanta raiva e quase trincou os dentes.

Então, ela correu para a farmácia, usou os vinte reais para comprar um pacote grande de adesivos térmicos e enfiou tudo nos bolsos do casaco policial dele.

E depois...

Henrique finalmente foi conquistado por ela, tornou-se seu namorado e, depois, seu marido.

Ela viu o tempo que ele gastou planejando o pedido de casamento para fazer uma surpresa, pedindo até para a Davia esconder o segredo dela.

Viu como, no dia em que pegaram a certidão de casamento, ele ficou sentado no carro olhando para o livreto vermelho por um longo tempo, passando o polegar repetidamente sobre o selo em relevo, antes de se virar para ela e dizer:

— Isabela, a partir de agora somos marido e mulher.

Exatamente porque ela tinha visto como ele era quando amava, a violência fria dele depois, cada vez que ele virava as costas, parecia uma faca cega cortando-a até sangrar.

Ele a amou.

Ele apenas retirou esse amor.

Isabela sentou-se nos degraus de pedra à beira do rio. O pãozinho em sua mão esfriou, ficou duro, difícil de engolir.

O leito do rio estava cheio de pedras soltas. Ela olhou para aquelas pedras e, de repente, pensou: se soubesse na época que aquela "frieza" não era personalidade, mas algo "doentio", se soubesse que no futuro haveria Teresa como um obstáculo intransponível, que haveria tantas lágrimas e desespero...

Será que ela ainda teria mergulhado de cabeça?

Isabela mastigou aquele pedaço de pão duro, e seus olhos começaram a arder novamente.

A resposta era sim.

Porque a Isabela daquela época o amava dessa maneira.

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