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Ele Me Traiu… ou Eu Enlouqueci? romance Capítulo 323

O Eloy foi colocado no chão, e a Isabela Almeida não disse mais nada, levando-o para sentar no banco de trás.

O espelho retrovisor refletia metade do perfil do homem no banco do carona.

O Gabriel tinha dito claramente que a saúde dele estava péssima, mas agora ele parecia estar perfeitamente bem, sentado em silêncio na frente.

A Isabela Almeida desviou o olhar, reprimindo a vontade que acabara de surgir de perguntar sobre o estado dele.

Não podia perguntar; perguntar seria perder.

E o que o Henrique fazia de melhor era dar uma pontinha de esperança, esperar a pessoa estender a mão tolamente para pegar, e então despedaçá-la.

— Mamãe, desculpa, eu errei.

A Isabela Almeida virou a cabeça e viu o garotinho com cara de culpa, voz mansa, tentando agradar.

Ela já imaginava parte da história e não conseguia ficar brava com a criança.

— Errou onde? — perguntou ela.

O Eloy apertou os lábios e seus olhinhos desviaram para o banco do passageiro.

— Não devia ter encontrado o policial escondido ontem à noite para conversar, nem ter pedido para ele assustar as crianças.

As costas no banco da frente se moveram.

— Eu fui porque quis. — Henrique começou a explicar. — A criança estava sofrendo injustiça, era meu dever ir ver.

A Isabela Almeida o interrompeu:

— Estou educando meu filho, não pedi para você falar.

Henrique calou a boca.

A Isabela Almeida olhou novamente para o Eloy:

— A mamãe não está brava. Se alguém te intimida, procurar a polícia é o certo.

O Eloy perguntou, incerto:

— É verdade?

— É verdade. — A Isabela Almeida segurou a mãozinha dele. — Desde que seja útil, não tem problema nenhum em usar.

A palavra "usar" foi dita com um certo peso.

A mão do Henrique, repousada sobre o joelho, se contraiu.

Passados alguns segundos, veio uma concordância da frente:

— Desde que seja útil, está valendo.

— Eu disse que queria ouvir sua opinião? — retrucou a Isabela Almeida.

Henrique ficou completamente mudo.

A escova na mão da Davia também parou; ela estreitou os olhos, seu olhar circulou entre a Isabela Almeida e o Henrique, e ela soltou um riso frio:

— Fetiche por farda, é?

A hostilidade encheu a sala.

Henrique parou no hall de entrada e fez uma reverência aos dois mais velhos.

— Pai, mãe.

Ao ouvir esse tratamento, a sala ficou ainda mais assustadoramente silenciosa.

Antigamente ele chamava com naturalidade, mas agora, soava extremamente irritante aos ouvidos.

— Não chame assim. — A Isabela Almeida trocou os sapatos e passou por ele. — Já estamos divorciados há muito tempo, aqui não tem seu pai nem sua mãe, e eles não querem ouvir isso.

Henrique manteve a postura curvada sem se mexer e, só depois de dois segundos, endireitou o corpo, com a cabeça baixa:

— Desculpe.

— Miau.

Um miado de gato quebrou o impasse.

O Laranja, que estava deitado no colo da Davia, levantou as orelhas, pulou do sofá e correu para o hall de entrada.

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