༺ Amara Wild ༻
Fiquei sentada na cama, observando tudo, tentando manter o controle da situação, mas o nervosismo me consumia. A tensão no ar parecia aumentar a cada segundo, e eu não sabia bem como reagir.
Meus olhos foram de Enzo para a porta, e antes que pudesse processar completamente o que estava acontecendo, Domenico entrou no quarto com aquele olhar sério que sempre tinha, o tipo de olhar que fazia qualquer um se sentir pequeno.
— O que estão fazendo com a porta trancada? — ele perguntou, sua voz fria, mas cheia de autoridade.
Enzo, com um sorriso provocador, não perdeu a oportunidade. Ele se aproximou de mim novamente, seus olhos brilhando com malícia, e não disse nada por alguns segundos. Quando finalmente falou, sua voz foi quase desafiadora.
— Estávamos somente nos conhecendo melhor, Domenico. — Ele deu uma risada baixa e contínua, a provocação clara. — Mas parece que você tem uma opinião diferente, não é?
Domenico ficou em silêncio por um momento, mas logo se aproximou, a postura imponente. Ele olhou para Enzo com firmeza, como se estivesse prestes a confrontá-lo de uma maneira que não deixaria margem para dúvidas.
— Já falei que vou ser o primeiro. — Ele disse com calma, mas a intensidade das suas palavras fazia com que a atmosfera ficasse ainda mais tensa.
Ainda sentada na cama, tentei encontrar alguma forma de aliviar a situação. Não conseguia mais ficar quieta, o constrangimento era demais. Minha voz saiu trêmula, mas precisava falar, intervir.
— Gente, por favor… — disse, levantando um pouco a voz, mas ainda tentando soar calma. — Estou aqui, é... é constrangedor para mim ouvir isso também, OK?
Ambos olharam para mim, e sinto o peso das suas atenções. Domenico parecia refletir sobre o que dissera, mas o silêncio que se seguiu foi ainda mais pesado.
Eu queria gritar para pararem, porém, sabia que isso só pioraria as coisas. O que mais desejava era que todos esquecessem que eu estava ali, no meio de toda essa situação.
Enzo então se aproximou de novo, dessa vez mais devagar, e seus olhos fixaram-se nos meus.
— Não fique tão nervosa, princesa. Não vamos fazê-la se sentir pressionada.
Mas a maneira como ele disse isso, o tom seguro, me fez duvidar se aquilo era realmente uma promessa ou uma ameaça disfarçada de gentileza.
Agora, tudo o que eu mais queria era que as coisas se resolvessem de uma vez por todas, que as palavras ficassem para trás, e que pudesse respirar sem esse peso sobre mim.
O silêncio que se seguiu foi cortante até que Domenico quebrou o clima. Ele deu um suspiro profundo e olhou para Enzo com um olhar cheio de autoridade.
— Melhor deixar essa conversa para lá, Enzo. — Sua voz estava firme e sem espaço para discussão. — Agora sai. Quero falar com ela sozinho.
Enzo, com um sorriso malicioso que nunca desaparecia de seu rosto, não hesitou. Ele olhou para mim com um olhar de cumplicidade e piscou, provocador como sempre.
— Foi maravilhoso, princesa. — Ele disse, a voz cheia de um prazer contido, e então se virou, saindo do quarto sem mais palavras.
Agora, finalmente, sozinha. O peso da presença de Domenico tomou conta de todo o espaço, e sinto uma tensão ainda maior se formando entre nós. Ele deu uma risada amarga, algo entre um suspiro e uma constatação.
— Eles estão te atacando como urubus loucos pela carniça, não é? — Ele perguntou, a voz carregada de um tom que não sabia identificar.
Fiquei em silêncio por um momento, apenas o observando, tentando entender suas palavras. Ainda estava processando tudo o que acontecera, tudo o que estava acontecendo.
Respirei fundo, tentando manter a calma, e então respondi, mais baixa do que pretendia.
— Sim, eu não esperava essa mudança tão repentina dos três rapidamente.
Domenico me observou por um tempo antes de responder. Seus olhos se estreitaram levemente, e ele parecia pesar as palavras antes de soltá-las.
— Eu avisei. Eles são assim mesmo. Você ainda não viu nada. — Ele se aproximou um pouco mais de mim, sua voz baixa, como se estivesse tentando me fazer entender a gravidade de tudo aquilo. — Espero que você não se assuste.
Nem faço ideia do que responder, então apenas fiquei em silêncio, absorvendo tudo. Ele tinha razão. Eu não havia visto nada ainda.
A sensação de estar no centro de tudo aquilo me deixava tensa e confusa, sem saber para onde eu estava indo.
— Eu só não quero ser sufocada… — Finalmente, falei, a voz vacilante. — Foi por isso que a Serena foi embora, não foi?
Havia um peso em minhas palavras, uma dúvida que pairava no ar. Domenico ficou em silêncio por um momento, seu olhar fixo em mim, antes de passar a língua pelos lábios, como se estivesse refletindo sobre tudo aquilo.
O som de sua respiração se misturava com o silêncio denso que preenchia o ambiente.
— Sim, foi isso. — Ele respondeu, finalmente, à voz grave. — Mas estou conversando com os meus irmãos sobre isso. Estamos tentando ajustar as coisas, fazer com que tudo não se torne tão… sufocante para você.
Não sei se isso me tranquilizava ou se me deixava ainda mais ansiosa. A única coisa que eu sabia, era que aquela conversa estava longe de terminar.

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