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Dominada Pelos Irmãos Beltron romance Capítulo 10

༺ Amara Wild ༻

Enquanto observava Domenico guardar o contrato que acabara de assinar, uma sensação estranha se apoderou de mim. Era como se eu tivesse vendido minha alma ao diabo. A escolha estava feita, não havia mais volta.

— Agora não tem mais volta — Cal, que estava ao meu lado, disse com uma calma que me fez sentir ainda mais o peso do momento.

Suspirei e murmurei, com um nó na garganta:

— Não…

Com um movimento lento, entreguei a chave para Cal, o que parecia ser a única coisa que ainda me conectava ao que conhecia antes dessa mudança toda.

Cal olhou para mim, surpreso, e perguntou:

— Para que isso?

Forcei um pequeno sorriso, tentando manter a voz firme.

— Para você, ficar lá na minha casa até o meu contrato acabar. Depois a gente vê o que fazer. E, claro, você pode comprar o que precisar no supermercado — disse, tentando passar a sensação de que isso era o mínimo que eu poderia fazer por ele, depois de tudo o que já fez por mim enquanto morava nas ruas.

Cal, que estava observando silenciosamente a cena, parecia não gostar da ideia. Ele balançou a cabeça, com uma expressão séria.

— Não posso aceitar isso — ele disse, com uma expressão de desagrado.

Mas não desisti. Eu precisava fazer alguma coisa por ele, por tudo o que ele me ofereceu até agora.

— Por favor, Cal. Aceite, não posso deixá-lo sem fazer o mínimo por você — insisti, sentindo a urgência de mostrar minha gratidão, ainda que de forma pequena. — Além disso, irei sempre visitá-lo.

Ele olhou para mim por um momento, e então, finalmente, cedeu.

— Está bem. Se você insiste — disse ele, mas com uma leve relutância no tom.

Me despedi de Cal, que me acompanhou até o carro. O silêncio entre nós era pesado, quase insuportável, mas Cal não deixou de fazer seu comentário, com um sorriso acolhedor:

— Agora vá e se cuide! Ele vai cuidar bem de você. Apesar da proposta absurda. Vou cuidar de tudo. Sua casa está em boas mãos.

Tentei sorrir de volta, mas estava difícil disfarçar a ansiedade.

— Assim espero — murmurei.

Quando me virei para Domenico, ele me olhou com um olhar enigmático, tão misterioso quanto o de sempre. Ele não estava mostrando nada, porém, sabia que ele estar sempre avaliando tudo.

Ele passou a mão pela barba, e, com um tom impessoal, disse:

— Chegou a hora de ir embora.

Peguei minha mochila e, ao me virar para sair, ele me olhou com um olhar que não conseguia decifrar.

— O que você pensa que está fazendo com isso? — ele perguntou, com um tom que não escondia o desdém.

Respirei fundo, sem entender muito bem o que ele queria.

— São minhas coisas — respondi, com um leve tremor na voz.

Ele balançou a cabeça com uma expressão que me fez engolir em seco.

— Retire só seus documentos e entregue-me. O resto não servirá mais para você.

Fiquei sem palavras. Só obedeci, pegando os documentos e entregando a ele. Quando ele pegou minha bolsa e a jogou no lixo, uma sensação de choque me paralisou.

— O que você fez? — perguntei, indignada. — Por que fez isso?

Com calma ele somente respondeu:

— Você não vestirá mais essas roupas. Não são mais adequadas para você.

Sinto uma mistura de raiva e confusão, mas não podia fazer nada. Então, uma pergunta me escapou:

— E o que vou vestir agora? E quando eu precisar tomar banho?

Ele simplesmente respondeu, como se fosse o mais natural do mundo:

— Vamos comprar roupas novas para você. E, antes de irmos para a mansão, temos alguns lugares para ir.

Suspirei, aceitando a ideia de que, realmente, as coisas mudariam de uma forma irreversível. Caminhei até o carro com ele, sem dizer uma palavra. No caminho, Domenico me observava, seus olhos parecendo mais calculistas do que nunca.

— Você só costuma usar calças jeans? — ele perguntou de repente, seu olhar curioso e um pouco sedutor.

Estava um pouco desconcertada com a pergunta, mas respondi, tentando ser o mais natural possível:

— Sim, as ruas são muito frias.

Ele balançou a cabeça como se não gostasse muito dessa resposta.

— Isso vai mudar. Gosto de mulheres com vestidos e saias.

Mal sei como responder a isso. Mas disse, meio sem graça:

— Vou tentar me adaptar.

Ele balançou a cabeça em aprovação. Então, finalmente, o carro parou em frente a uma clínica hospitalar. Olhei, confusa.

— O que estamos fazendo aqui? — perguntei, sem entender.

Capítulo 10 1

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