Deise olhou na direção da voz e viu uma mulher de meia-idade, coberta de joias, cambaleando em sua direção. O cheiro forte de álcool a denunciava de longe; era óbvio que havia bebido além da conta.
Segurando uma garrafa de conhaque, ela apontou o gargalo para William.
— Você, venha me fazer companhia.
A mulher falou de maneira descarada.
William permaneceu imóvel, sequer piscou.
Aparentemente desacostumada a ser ignorada por um rapaz daquele tipo, a mulher começou a berrar:
— Tá se fazendo de surdo? Que marra é essa para um garoto de programa! Você só quer dinheiro, não é?!
Enquanto falava, tirou maços de notas da sua bolsa Louis Vuitton.
Era raro alguém carregar tanto dinheiro vivo hoje em dia; ficava claro que o intuito dela era ir à boate para jogar dinheiro para o alto e se exibir.
— Eu estou cheia da grana! Vem, toma aqui, te dou o quanto você quiser!
A mulher começou a jogar as notas para o ar como se estivesse enlouquecida.
A atenção de todos na casa noturna voltou-se involuntariamente para a chuva de dinheiro, e ninguém reparou que William havia tirado o celular do bolso e parecia mandar uma mensagem no WhatsApp.
— Está vendo? Tenho dinheiro de sobra. É só me tratar bem que não vai te faltar nada.
A confusão armada logo chamou a atenção de Susana.
Como dona do estabelecimento, e sendo a cliente uma frequentadora assídua, Susana não podia simplesmente partir para o confronto direto.
— Sra. Natália, houve um mal-entendido. Este cavalheiro não trabalha aqui.
Contudo, por mais que Susana tentasse apaziguar, era preciso que a outra estivesse disposta a escutar.
A Sra. Natália estava nitidamente embriagada e ignorava qualquer apelo.
— Mal-entendido uma ova! Acha que sou cega? Olha a roupinha atrevida dele, e essa vagabunda aí não acabou de pagar um combo caríssimo para ele?
Apontou, grogue, para as garrafas na mesa de Deise.
— A-aquilo ali é porque...
Sem dar tempo para explicações, a Sra. Natália empurrou Susana de lado e avançou furiosa contra Deise.
— Só porque ela é sua amiguinha, tem tratamento especial? E eu, que sustento essa boate, sendo cliente VIP diamante, tenho que me contentar com os bagaços?! Não aceito! Ou você manda esse bonitão ir comigo hoje, ou... eu acabo com o seu bar!
Movida pelo álcool, a mulher ergueu a garrafa de conhaque e desferiu um golpe na direção de Deise.
O efeito da bebida dissipou-se por completo.
E ela percebeu que aquele homem incrivelmente bonito não era um garoto de programa.
De forma alguma!
Nesse instante, um homem corpulento entrou às pressas na boate.
Deise o reconheceu: era o Diretor Reis, da Móveis da Natureza.
Ao deparar-se com ele, a Sra. Natália ficou espantada.
— O que você está fazendo aqui, querido?
— Você causou um desastre enorme, sua insensata...
A expressão do Diretor Reis era de puro pânico, até maior do que a dela.
— Minhas sinceras desculpas... Sr. Branco, minha mulher agiu por estupidez, ela...
Sem paciência para discursos, William lançou-lhe um olhar implacável. O Diretor Reis calou-se imediatamente e arrastou a Sra. Natália para fora do estabelecimento o mais rápido que pôde.
Deise franziu o cenho; como o Diretor Reis, da Móveis da Natureza, sabia que o sobrenome de William era Branco?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Divorciei-Me e Casei com o Homem Mais Rico