— É o William mesmo!
Deise torceu a boca, num misto de incredulidade e aceitação.
Ela chamou Susana e pediu o combo de champanhe para ele.
Susana não pareceu surpresa com a presença dele; estava claro que haviam combinado aquilo com antecedência.
— Susana, minha certidão de divórcio saiu hoje. Vem beber e comemorar comigo, até comprei o amendoim daquele lugar que a gente costumava ir.
Deise falava enquanto acenava para a amiga.
Susana, porém, balançou a cabeça com um sorriso malicioso.
— Não vou ficar aí segurando vela!
Apesar de dizer isso, ela se aproximou e sussurrou no ouvido de Deise:
— Já que você está divorciada, aproveita que ele se entregou de bandeja e vai fundo, você não tem nada a perder.
Dito isso, deu uns tapinhas no ombro dela.
— Quer que eu... já vá reservando um quarto?
— Vá trabalhar, sua intrometida!
Deise se apressou em empurrar Susana para longe, sentindo o rosto esquentar.
A voz de Susana não era das mais discretas; não sabia se William havia escutado o "sussurro".
Deise voltou-se para William e viu que ele já estava descascando o amendoim para ela.
Mesmo usando luvas brancas, seus movimentos não eram desajeitados; parecia ágil, como alguém acostumado com aquele tipo de tarefa.
— Eu mesma faço isso, você vai sujar as luvas.
Deise tentou impedi-lo, mas ele respondeu:
— Não tem problema. Eu quero servir à Senhorita.
Instintivamente, ela levou a mão ao peito esquerdo.
Ele estava tentando seduzi-la, não é?
Com certeza ele estava tentando seduzi-la!
Deise sentiu que não ia aguentar aquilo.
Como aquele deus austero de repente havia se transformado em um sedutor irresistível?
Na verdade, William não agia com a bajulação típica de um acompanhante em busca de agradar uma cliente.
Mesmo enquanto falava, não a encarava; mantinha os olhos baixos, concentrado em descascar os amendoins.
No entanto, era justamente essa atenção redobrada à tarefa que o tornava tão encantador.
Deise apoiou o queixo em uma das mãos e ficou observando o perfil dele.
Como nunca tinha reparado na linha perfeita da mandíbula dele? Era muito mais atraente do que a de qualquer ídolo jovem da TV.
Em pouco tempo, havia um prato cheio de amendoins descascados, que William empurrou na direção dela.
— Pronto, pronto, já tem o suficiente.
Após ela falar, viu William retirar as luvas sujas, limpar as mãos com um lenço umedecido e calçar um par novo.
Embora ele tivesse ficado sem luvas por apenas um breve momento, Deise conseguiu reparar:
As mãos de William eram grandes, de articulações bem definidas, dedos longos, pele macia e unhas perfeitamente aparadas.
Eram mãos imaculadas, o tipo capaz de arrancar suspiros de qualquer admiradora.
Geralmente, quem insiste em usar luvas o faz para esconder cicatrizes ou por repulsa à sujeira do mundo exterior.
Pensando bem, agora ela também havia gasto dinheiro com ele. E, como o dinheiro ficaria na boate de Susana, não sentia que estava apenas se aproveitando de William, além de garantir que o lucro ficasse entre amigos.
Ao ver o aceno silencioso de William, Deise foi preenchida por um calor reconfortante no peito.
Desde que o conhecera, havia percebido sutilmente:
Por trás da fachada fria e inflexível, William possuía uma sensibilidade impressionante.
Inevitavelmente, os olhos dela encontraram os dele.
Ele a fitava de volta, com um olhar profundo e vasto como um oceano de estrelas.
O rosto impecável dele foi se aproximando lentamente.
À medida que a distância diminuía, a atmosfera ao redor deles pareceu esquentar.
O coração de Deise acelerou e sua respiração tornou-se pesada.
William nem sequer a havia tocado, apenas a olhava e se aproximava sem pressa.
Tinha ficado bêbada com um único gole?
Deise se repreendeu internamente.
Suas bochechas arderam e, diante da investida dele, sentiu-se encurralada, sem ter para onde recuar.
De repente, ela se levantou.
— Vou ao banheiro.
Deise quis fugir às pressas, mas, ao se virar, sentiu William segurar o seu pulso com firmeza.
Nesse exato momento, um grito estridente quebrou a tensão palpável entre os dois.
— Eu quero esse garotão aqui!

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