No entanto, não era o momento para investigar aquilo. A mão de William estava ferida, sangrando e com cacos de vidro alojados na pele.
— Susana, tem algum algodão com álcool, gaze ou algo assim aqui? Vou fazer um curativo básico na mão dele.
Deise falou com a amiga, apressada.
Susana mal terminara de dizer "Vou procurar" quando William interveio com indiferença:
— Não precisa.
— Como assim não precisa? Você quer perder a mão?
Deise o fulminou com o olhar, o rosto severo.
O semblante dele, porém, suavizou-se de modo surpreendente.
— Você se preocupa tanto assim comigo?
— Mas é claro!
Se ele não tivesse se machucado por causa dela, a vontade que tinha era de dar-lhe um tapa.
— E aliás, você já tinha agarrado a garrafa, por que estilhaçou ela? Foi totalmente desnecessário!
Ela não pôde evitar o sermão.
É verdade que a atitude havia sido impressionante, mas ele havia se prejudicado seriamente no processo!
Será que o cara tinha algum gosto sádico?
Deise encontrava-se num estado de agitação e cuidado maternal.
Do outro lado, William respondeu tranquilamente:
— Eu fiz de propósito.
Deise: ???
O que ela acabara de ouvir?
— Fez de propósito para contrair tétano, é?!
— Queria que você sentisse pena de mim.
Diante dessa confissão, Deise ficou paralisada.
Ao lado, Susana, que já retornara com gaze, algodão, álcool e uma pequena pinça, instintivamente deu um passo para trás.
Era como se houvesse um círculo invisível em formato de coração em volta de Deise e William, bloqueando o resto do mundo, no qual ela definitivamente não deveria entrar.
Deise jamais imaginaria que alguém tão sério e comedido pudesse ser tão sedutor.
Especialmente porque, com aquele traje ousado, havia uma combinação perigosa de inocência e atrevimento. E, para piorar, os olhos dele queimavam como brasas enquanto a encaravam.
Ela sentiu que estava, de fato, sendo enfeitiçada!
Se não fosse pelo som do sangue pingando no chão, ela continuaria absorta na beleza magnética dele.
— Deveria deixar você morrer de dor.
Apesar das palavras duras, acenou para que Susana se aproximasse.
O último encorajamento fora direcionado a William.
Ele correspondeu com um leve aceno de cabeça, expressando silenciosa gratidão.
E ali estava Deise, no meio da noite, no passeio da rua, carregando pinça, gaze e algodão embebido em álcool, com uma expressão inescrutável no rosto.
— Você sabia... que essa é a primeira vez, em todos os anos de amizade com a Susana, que ela me expulsa de lá?
Ela falou com os dentes semicerrados, lançando-lhe um olhar furioso.
William manteve-se calado, como de costume, sem pressioná-la a seguir para o hotel.
Ela baixou os olhos para a mão ensanguentada.
As lesões eram extensas; não daria para ignorá-las.
Sem alternativa, conduziu William em direção ao hotel do amigo de Susana.
Ficava extremamente perto e era fácil de encontrar.
O único problema era...
Tratava-se de um motel temático para casais.
— A Susana me avisou. Já preparei tudo, garanto que vão adorar.
O proprietário fez questão de acompanhá-los até o quarto.
Quando a porta se abriu, Deise ficou pasma.

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