Ela arregalou os olhos e começou a se debater imediatamente.
Porém, William era muito forte. Envolvida pelos braços dele, ela mal conseguia se mover.
— Me solta, William!
Ela protestou em voz alta, mas ele a ignorou por completo.
— Se não me largar agora, eu vou ficar com raiva de verdade!
— Você já está com raiva.
A constatação dele a deixou num misto de irritação e vontade de rir.
— Tá bom, tá bom! Eu prometo que não vou embora. Vou ficar e escutar o que você tem a dizer, pode ser assim?
Vendo que ela havia cedido, ele finalmente afrouxou o aperto ao redor dela.
Deise soltou um suspiro de pura frustração.
Foi ele quem a havia tirado do sério, então por que parecia que era ela quem o estava consolando?
Sentindo a pele arder onde fora tocada, ela agarrou um copo d'água em cima da mesa e virou de uma vez.
— Sabe o que é...
Ao baixar o copo, ela viu que William apontava para o objeto.
— Fui eu quem bebeu nesse copo agora há pouco.
O rosto dela esquentou na mesma hora.
Eles já haviam se beijado de verdade antes, um beijo de pele contra pele. Aquilo era só um beijo indireto, não havia motivo para ficar com tanta vergonha.
Apesar disso, uma timidez irracional tomou conta de si.
Seu coração disparou.
Ele observou a vermelhidão no rosto dela, sem saber se era por rubor ou por pura raiva.
Pegou uma garrafa de água mineral, tirou a tampa e estendeu-a na direção dela.
— Esta está intocada.
Ela hesitou por um segundo, mas pegou a garrafa.
Precisava fazer alguma coisa, caso contrário, sentia que iria pegar fogo ali mesmo. O calor estava insuportável.
Acabou tomando a garrafa inteira, ficando com o estômago pesado de tanta água.
Foi então que percebeu o olhar de William sobre ela.
Aqueles olhos, normalmente tão frios e rigorosos, agora reluziam como gelo derretido sob o sol.
Ela desviou o rosto e pigarreou.
— Então, qual é a verdadeira história... entre você e a tal Nilda?
Assim que as palavras saíram, ela se deu conta de que soara exatamente como uma namorada ciumenta num interrogatório.
— Nós não temos nada... A Família Pinto apenas tem uma relação de amizade de longa data com a minha...
Deise ficou atônita.
— E acabou? É só isso?
Ele inclinou a cabeça, confuso.
— O que mais você queria ouvir?
— Ah, o passado entre você e a Srta. Nilda, é claro! Tipo, os momentos românticos olhando as estrelas e a lua...
Ele franziu a testa, como se forçasse a memória.
— Não teve nada disso...
Com uma expressão séria e voz firme, ele a fitou com convicção.
— Posso contar nos dedos as vezes em que nos vimos. E, em todas elas, os mais velhos de ambas as famílias estavam presentes. Eu definitivamente nunca fiquei olhando as estrelas ou a lua a sós com ela.
A resposta foi tão engessada e literal que Deise não conseguiu segurar a risada.
Pela reação dele, ficou claro que ele jamais havia assistido àquelas novelas românticas cheias de clichês.
— Então, aquilo que eu vi naquele dia... você e a Srta. Nilda jantando juntos... não era a festa de noivado de vocês?
— Não.
Ele balançou a cabeça em negação.
— Os mais velhos da Família Pinto vieram à Cidade Nova e trouxeram a Nilda. A minha família apenas exigiu que eu organizasse um jantar de boas-vindas para recepcioná-los.

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