Deise notou que a carne na grelha estava torrada, deixando claro que a cabeça do churrasqueiro estava longe dali.
Agora ela finalmente entendia o motivo de ele ter dito que só seria um jantar de verdade com a presença dela.
Afinal, assar carne sozinho passava longe de ser uma confraternização.
Ao mesmo tempo, percebeu que a presença dele ali não era uma mera coincidência, como ele havia alegado.
Não importava como William descobrira que ela e a equipe de Leandro estavam naquela churrascaria; o fato era que ele fora até lá de propósito para interceptá-la.
Deise sentou-se de frente para ele, limpou os pedaços carbonizados da grelha e colocou novas porções de carne e legumes.
— Se você não estiver com fome, vamos assar tudo e pedir para embalar para viagem. Não podemos desperdiçar comida.
— Tudo bem, você quem manda.
Ele assentiu levemente para ela.
Os dois ficaram em silêncio cuidando do churrasco por um tempo. Vendo que ele não tomaria a iniciativa, Deise resolveu perguntar:
— Então... você veio até aqui de propósito para esse nosso encontro casual. Tem algum motivo específico, não tem?
A mão de William, que segurava os talheres, hesitou por um segundo.
— Aquele Leandro... é alguns anos mais velho que você, divorciado e ainda tem uma filha...
Para Deise, aquela resposta não tinha pé nem cabeça.
Ainda assim, ela não o interrompeu.
— Com todos esses fatores... você ainda se dispõe a dar uma chance para ele te cortejar. Então por que... não quer me dar a mesma chance? Em que eu sou pior do que ele?
Seus olhares se encontraram, e Deise teve a impressão de captar uma ponta de insatisfação reprimida nas profundezas das íris escuras dele.
Contudo...
Que grande injustiça!
Quando foi que ela deu alguma chance para Leandro tentar conquistá-la?
Além do mais, Leandro nem sequer estava flertando com ela!
Será que, na cabeça de William, o simples fato de trabalhar e jantar junto com o cara já significava dar-lhe uma oportunidade?
Em seu íntimo, havia um turbilhão de coisas que ela gostaria de explicar, mas, quando as palavras chegaram à ponta da língua, ela mudou de ideia.
— Você por acaso viu a Nilda Pinto?
O coração de Deise deu um sobressalto no peito.
Ela nem sabia explicar o motivo daquela reação.
Não era possível que ela estivesse gostando dele, era?
Ela se apressou em negar a ideia internamente.
Já havia quebrado a cara uma vez com Palmiro e definitivamente não queria repetir o erro.
Homens só serviam para atrasar a evolução de sua carreira.
Embora repetisse isso para si mesma como um mantra, ela não conseguia evitar a curiosidade sobre a tal Nilda que ele mencionara.
Ela imaginou que a garota que vira por acaso no outro dia, usando um vestido longo verde-água, com um ar reservado e elegante, uma verdadeira dama, devia ser essa Nilda!
— Bem, já que a Srta. Nilda é sua noiva, eu vou fingir que aquela sua declaração nunca existiu... De agora em diante, voltamos a ser apenas senhorio e inquilina.
Dito isso, ela se levantou para sair, mas foi subitamente puxada para os braços dele.

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