Todo o comportamento de Eduarda transmitia uma leveza contagiante; ela já não carregava aquela aura de quem parecia constantemente sufocada pelo peso do mundo.
Franklin estava imensamente feliz com essa mudança, que era, sem dúvida, infinitamente melhor do que os episódios frequentes de profunda tristeza que a acometiam no passado.
Sem revelar nada a ela, ele foi em busca do médico para saber o resultado dos exames.
O doutor entregou os laudos a Franklin para que ele mesmo olhasse, enquanto explicava:
— De acordo com os resultados, embora a Sra. Barbosa tenha despertado, a rede neurológica dela sofreu, de fato, um trauma durante o acidente. Geralmente, as sequelas de uma lesão variam de pessoa para pessoa. Algumas saem ilesas, outras perdem a memória. O caso da Sra. Barbosa se encaixa nessa segunda possibilidade: suas lembranças sofreram danos e distorções.
Ele fez uma pausa e continuou:
— Claro, isso não se deve puramente a fatores físicos; há um forte componente emocional envolvido. Imagine o seguinte: se o corpo sofre um trauma brutal em um momento em que a mente também está lidando com uma sobrecarga emocional extrema, é possível que ocorra o que vemos aqui. Uma combinação de fatores fez com que as memórias negativas e dolorosas fossem suprimidas ou apagadas como um mecanismo de proteção. O cérebro dela escolheu preservar apenas as lembranças boas e favoráveis à sua estabilidade.
Franklin processou as palavras do médico.
— E isso pode trazer alguma complicação futura para a saúde dela? — questionou.
O médico respondeu:
— Do ponto de vista fisiológico, não há nenhum impacto negativo. O corpo dela está se recuperando perfeitamente. E, olhando pelo lado psicológico, também não vejo isso como um problema. Pelo contrário, se esquecer as lembranças ruins a ajuda a manter esse estado de tranquilidade e bem-estar, isso é extremamente benéfico para ela.
— Sr. Nogueira, pense bem: passamos a maior parte de nossas vidas lidando com os reflexos físicos das nossas emoções ruins. O equilíbrio emocional é vital para a nossa saúde. Se ela encontrou uma forma de preservar essa paz de espírito, isso é algo precioso.
Franklin absorveu cada conselho e concordou plenamente com o raciocínio do médico.
No passado, a dor e o fracasso daquele casamento frequentemente arrastavam Eduarda para um abismo de angústia e dor no peito.
Se esquecer tudo isso significava que ela poderia viver com mais leveza, então ela viveria muito melhor.
O que ele mais desejava era vê-la livre, vivendo sem amarras.
Desde que Eduarda estivesse feliz, o resto não importava.
Ele se despediu do médico e voltou ao quarto. A cada dia que passava, a energia de Eduarda aumentava, enchendo o coração de Franklin de alegria.
Pouco tempo depois, ela já conseguia sair da cama e caminhar livremente, com Franklin sempre por perto, zelando por seus passos.
Quando sua recuperação já estava bem avançada, a mente de Eduarda começou a se voltar para o trabalho.
Ainda chorosa, Pérola percebeu que o tom de voz e o semblante de Eduarda estavam bons, o que aliviou um pouco a tensão em seu coração.
Eduarda teve de consolá-la repetidas vezes, garantindo que estava perfeitamente saudável, até que Pérola finalmente ficasse mais tranquila.
Observando o ambiente ao redor através do vídeo, Pérola comentou:
— Irmã, você está em um carro? Estou vendo umas placas em inglês aí fora... Você está no exterior?
— Sim, estou no exterior — confirmou Eduarda, assentindo. — Já faz um bom tempo.
Pérola exclamou:
— Ah, tá explicado! A gente tentou te procurar por todos os lados e nada. Você já tinha saído do país! Até o Cícero tentou te rastrear de tudo que é jeito e não conseguiu.
Ao ouvir o nome de Cícero, Eduarda demonstrou um breve momento de paralisia antes de voltar à sua expressão normal, perguntando, intrigada:
— E o que ele quer comigo? Nós não já nos divorciamos?

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