Eduarda simplesmente não conseguia entender. Eles já estavam divorciados e não tinham mais vínculos. O que ele poderia querer com ela agora?
Pérola ia dizer mais alguma coisa, mas foi interrompida pela voz de Franklin.
— Eduarda, chegamos — anunciou ele.
Ela ergueu o olhar e se deparou com uma belíssima casa de campo à sua frente. As paredes eram adornadas por trepadeiras floridas, e o jardim era sombreado por árvores frondosas. Sob a luz do sol, o lugar emanava uma energia incrivelmente acolhedora.
Pelo vídeo, Franklin dirigiu-se a Pérola:
— Sua irmã ainda precisa de muito repouso. Deixem para conversar mais quando voltarmos.
Pérola não compreendeu todos os detalhes, mas pareceu captar algo nas entrelinhas. Acenando com a cabeça, ela concordou:
— Entendi. Aproveitem as férias de vocês, não vou mais atrapalhar.
Apesar de não conhecer Franklin, a forma carinhosa e gentil como ele falava com Eduarda a fez deduzir a natureza daquela relação. Sabendo que não devia ser inconveniente, encerrou a chamada.
A atenção de Eduarda foi totalmente capturada pela paisagem exuberante; ela abriu a porta do carro e caminhou em direção ao portão da propriedade.
Cada detalhe ao seu redor lhe trazia uma sensação de paz de espírito. Fazia muito tempo que não se sentia tão livre e à vontade.
Ela se virou para Franklin, que também a observava com um sorriso terno.
Com as bochechas levemente coradas, ela disse:
— Obrigada, Franklin. Eu amei o lugar.
— Fico feliz que tenha gostado — respondeu ele, contagiado pela alegria dela.
Eles entraram na casa, fizeram um pequeno tour pelos cômodos, e Franklin pediu que ela se sentasse à mesa de jantar para aguardá-lo.
Ele trouxe da cozinha um caldo de peixe nutritivo que havia sido preparado com antecedência, serviu uma tigela e a colocou na frente dela. Os dois começaram a desfrutar daquele momento de tranquilidade.
Enquanto tomava a sopa, Eduarda lembrou-se do assunto anterior:
— A Pérola disse que o Cícero estava me procurando. Por que ele faria isso? Ficou alguma pendência do divórcio? Divisão de bens ou algo do tipo? Eu não me lembro direito. Você sabe de alguma coisa?
A mão de Franklin, que segurava a colher, hesitou por uma fração de segundo. Logo em seguida, ele tomou um gole da sopa com a maior naturalidade possível.
As palavras de Eduarda deixavam perfeitamente claro o estado atual de suas memórias: ela sabia que havia sido casada com Cícero, mas em sua mente não existia amor e tampouco ódio. Parecia, de fato, apenas um contrato frio e sem afeto.
Franklin compreendeu a extensão de tudo. Todas as emoções intensas ligadas a Cícero eram, para ela, memórias desagradáveis. Consequentemente, o cérebro dela as apagou por completo. Todo o amor e todo o ódio haviam sido levados para longe, como pó ao vento.
Ele achou que, no fim das contas, aquilo era algo bom, e preferiu não esticar o assunto.
— Então, ele provavelmente só quer resolver algumas questões burocráticas pós-divórcio — concluiu ele.
Eduarda concordou com a cabeça:
— Eu também acho. Não tenho a menor vontade de vê-lo. Vou pedir para a Pérola ir no meu lugar resolver isso depois.
Após dizer isso, ela voltou a saborear o caldo de peixe com gosto, deixando aquele assunto de lado, como se não ocupasse nenhum espaço em sua mente.
Dentro da sua nova percepção de realidade, o divórcio era apenas um acontecimento banal que já havia ficado no passado. O que passou, passou; não havia motivo algum para se importar.
Mesmo a menção ao nome de Cícero não despertava nada nela, além de ser o nome de um ex-marido do qual ela já havia se separado.
Franklin a observou em seu estado sereno e relaxado e, após um momento, um sorriso suave surgiu em seus lábios.

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