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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 333

A repulsa de Eduarda era nítida, como se ela fugisse de uma praga contagiosa.

Cícero sorriu com amargura mais uma vez.

Ele lutava contra o desejo desesperado de perguntar por que ela não podia lhe dar um único sorriso ou dizer uma palavra gentil.

Mas as palavras morriam em sua garganta antes de serem pronunciadas.

Cícero ajeitou-se na cadeira, ficando de frente para Adilson e lado a lado com Eduarda.

— Vovô. — Cumprimentou Cícero.

Adilson acenou com a cabeça e examinou as feições do seu herdeiro.

O rosto do homem exibia um cansaço e uma desolação impossíveis de esconder.

O patriarca sentiu pena, mas sabia que as pendências do dia precisavam ser resolvidas sem fraqueza.

Só assim o destino de todos retornaria aos trilhos corretos.

Adilson pousou a tigela de caldo e limpou os lábios com um guardanapo de linho antes de abrir a boca.

— O prazo de dois dias acabou, Cícero, você já tomou a sua decisão?

A pergunta do velho soou como um ultimato.

Cícero sabia que não havia mais escapatória para aquele dia.

Se tentasse fugir, o seu avô usaria métodos implacáveis para forçar a sua submissão, tornando a situação um verdadeiro inferno.

Ele assentiu, ciente da triste ironia de que, apesar de ser visto pelo mundo como um homem poderoso acima dos meros mortais, ele ainda era um prisioneiro das correntes do seu próprio avô.

O seu casamento arranjado há seis anos e o divórcio inevitável de hoje provavam exatamente isso.

Naquele exato instante, um pensamento inusitado cruzou a mente do magnata.

Se ele não carregasse o sangue da família Machado, será que teria o poder de segurar o próprio destino em suas mãos?

Um suspiro pesado escapou dos seus lábios.

A expressão de Adilson mudou sutilmente após a confirmação, e ele ordenou ao administrador da casa que o ajudasse a subir as escadas, guiando todos até o escritório principal.

Eduarda seguiu os passos do patriarca e tomou o seu assento.

Cícero foi o último a se acomodar na cadeira.

Os dois permaneceram lado a lado, de frente para a imponência de Adilson.

A mulher retirou uma pasta da sua bolsa de grife, abriu os documentos e os empurrou na direção de Adilson.

— Eu já assinei a minha parte, vovô, agora só falta ele. — Declarou Eduarda, fria, sem emoção.

— Entendo. — Adilson transferiu o olhar para o neto. — E onde está a sua cópia?

Cícero continuou paralisado.

Adilson pigarreou de forma autoritária.

— Não se esqueça das minhas palavras e saiba diferenciar o que deve ou não ser feito, pois você sempre foi um garoto obediente, Cícero.

Derrotado, Cícero fechou os olhos por um segundo antes de pegar o celular e ligar para Damiano.

— Pode subir com os papéis.

— Nós precisamos refazer este acordo, pois eu transferirei alguns bens para o seu nome e não permitirei que você saia desse casamento de mãos abanando.

Eduarda bufou com desdém, abrindo um sorriso implacável e destilando palavras congelantes.

— Não se incomode, pois eu não faço questão de nenhuma das suas migalhas.

Desde o princípio, o seu objetivo nunca foi arrancar vantagens financeiras de Cícero.

E agora, ela já não queria nem mesmo aquele amor que um dia implorara para receber.

A jovem virou a cabeça e o encarou com um sorriso macabro.

— Se você continuar prolongando isso, Cícero, o meu desprezo por você só aumentará, e eu tenho certeza de que o vovô não aprovará a sua atitude.

Ela disparou as próximas palavras como flechas.

— Nós já passamos da hora de enterrar este casamento fadado ao fracasso, então vamos terminar tudo hoje para que cada um siga o seu caminho sem estorvar o outro.

Com a presença imponente de Adilson supervisionando o ato, Cícero não teria escolha senão assinar os papéis.

Observando as lâminas afiadas trocadas entre os dois, Adilson suspirou intimamente, conformando-se de que não havia salvação para aquele enlace.

Quando uma ferida se tornava profunda demais, algumas palavras bonitas não eram suficientes para estancar o sangramento.

A essa altura da tragédia, já era impossível apontar quem havia apertado o gatilho primeiro.

O patriarca usou um tom grave.

— Assine os papéis, Cícero, deixe a Eduarda ir embora e realize de uma vez o seu antigo sonho de ficar com a Sra. Castilho.

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