Entrar Via

Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 334

Se essa separação virasse um circo nos tribunais, a reputação da família Machado seria arrastada pela lama.

Por essa razão, era imperativo que Cícero colocasse um ponto final naquilo hoje.

Cícero finalmente engoliu a verdade de que a piedade de Eduarda havia se esgotado e que o seu único instinto era a fuga.

Ele já não tinha forças para segurá-la.

Quanto ao suposto sonho antigo mencionado por seu avô... ele já estava começando a duvidar da bússola do seu próprio coração.

Será que ele realmente havia amado Weleska durante todo esse tempo?

Era essa a imagem patética que o mundo tinha dele?

A luz apagou-se lentamente nos olhos de Cícero, substituída por uma fisgada aguda no peito, e ele suspirou, engolindo o amargor que arranhava a sua garganta.

Os seus olhos procuraram o rosto de Eduarda mais uma vez, desejando desesperadamente que ela o notasse com ternura, nem que fosse por um mero segundo.

No cenário atual, até mesmo um olhar compassivo havia se tornado um luxo inacessível.

Movendo a mão de forma arrastada e tomada por uma impotência inédita, ele finalmente traçou a sua assinatura no papel.

Os dois acordos receberam os rabiscos definitivos de ambas as partes, entrando oficialmente em vigor.

O martelo invisível do destino despencou com um estrondo ensurdecedor, selando o fim de uma era e o princípio de outra.

Encarando os dois nomes unidos pela última vez na folha de divórcio, os olhos de Eduarda arderam com a ameaça das lágrimas.

O pensamento de que estava finalmente liberta inundou a sua mente.

Nunca mais ela seria torturada pelas garras do afeto ilusório.

O seu pior erro havia chegado a um desfecho definitivo.

A mulher abriu um sorriso banhado em uma paz profunda.

Ela fixou o olhar em Adilson e as palavras saíram embargadas pela gratidão.

— Obrigada, vovô, por me conceder esta liberdade no dia de hoje.

Aquela frase soou perfeitamente igual ao dia fatídico ocorrido há seis anos.

O mesmo dia em que Adilson a forçara a caminhar até o altar para se casar com Cícero.

Naquela época, ela também havia proferido um agradecimento por ele realizar o desejo dela.

A grande diferença era que, após ser arrastada por enxurradas de alegrias rasas e oceanos de tristeza escaldante, a sua versão ingênua estava morta e dera lugar a uma mulher racional e madura.

As feridas do amadurecimento haviam sido vivenciadas em sua plenitude.

O seu peito não guardava um único traço de arrependimento pela atitude tomada.

Todas as desgraças vividas ao lado de Cícero seriam sepultadas para sempre no passado.

A contabilidade de quem estava certo ou errado, ou de quem devia desculpas a quem, já não tinha qualquer relevância.

A sua única missão era absolver a si mesma.

Ela apagaria as lembranças amargas e construíria um império de felicidade em seus próprios termos.

Na imensidão da palavra futuro, não existia mais espaço para a existência de Cícero.

Adilson balançou a cabeça em aprovação antes de instruí-los.

— Podem ir direto ao Cartório.

Em seguida, ele direcionou as ordens ao neto.

— Quando a burocracia terminar, volte aqui para conversarmos sobre a sua situação com a Sra. Castilho.

— Fale logo, o que você quer?

— Você insistiu em abrir mão da partilha de bens e sair sem nada, mas eu acho isso inaceitável, então te pagarei umpensão que será mais do que suficiente para garantir o seu sustento. — Declarou Cícero.

Eduarda sentiu vontade de rir do absurdo daquela cena.

— Eu já repeti inúmeras vezes que não quero o seu dinheiro, então por que você continua insistindo nisso? Por acaso você tem problemas de audição?

Diante dos questionamentos hostis, o interior de Cícero tremeu levemente.

A sua mente racional sabia que aquele comportamento beirava o desespero patético.

Mas a verdade irracional era que as suas entranhas reviravam de preocupação com o futuro daquela mulher.

Ou talvez, em seu íntimo covarde, ele apenas não suportasse a ideia de ter o seu vínculo com ela rompido para toda a eternidade.

Após os carimbos no divórcio, ambos passariam a ser absolutos desconhecidos andando pelas ruas da cidade.

Ele tinha plena consciência de que a presença dele causava ânsia nela.

Mas as amarras invisíveis do afeto já haviam estrangulado o coração do magnata.

Mesmo sendo estapeado pela rejeição a cada palavra dela, a sua alma se recusava a afrouxar o aperto.

Cícero reduziu o tom de voz até que soasse como uma súplica contida.

— Aceite o dinheiro como um pagamento por tudo o que eu te fiz sofrer durante esses anos, e deixe que eu repare os meus erros ao menos um pouco.

A resposta de Eduarda foi uma gargalhada genuína e vazia.

— Se você fosse pagar pelo que me deve, o dinheiro do mundo todo não seria suficiente, então guarde essa fortuna para você, porque eu lavo as minhas mãos disso tudo.

Quando se tratava de medir as dívidas emocionais, a conta já havia extrapolado qualquer saldo pagável.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Diamantes e Cicatrizes