Aquele rosto estava completamente desfigurado, e as lágrimas continuavam a fluir sem parar.
As gotas escaldantes caíram sobre as mãos de Helena. Ela encarou aqueles traços que ainda guardavam um resquício de familiaridade e perguntou, com a voz embargada:
— Você... você é a Bianca?
— Uuuuh! Uuuhh! Uuuuuuh! Uuuuuh!
O choro da mulher mutilada subitamente se tornou mais alto, dilacerante.
Ela balançava a cabeça freneticamente, confirmando.
Os olhos de Helena se encheram de lágrimas no mesmo instante.
Sua voz falhou.
— É você... você é mesmo a Bianca!
— Uuuhh! Uuuhh! Uuuuuuh!
Helena a puxou para um abraço apertado. Naquele momento, a represa de suas lágrimas finalmente se rompeu.
— Bianca, é você... é realmente você... Você está viva...
— Por que você ficou assim?! Por que isso aconteceu com você?! — O coração de Helena parecia estar sendo esmagado.
Viver de forma tão miserável e trágica... às vezes, morrer teria sido uma misericórdia.
Mas Bianca só conseguia emitir gemidos desesperados. Helena olhou para a boca dela e viu o horror: a língua havia sido arrancada pela raiz.
Era por isso que ela não conseguia falar.
— Vem, eu vou te levar para casa! Vou te levar de volta! — soluçou Helena.
Ela ergueu o cesto com Bianca nos braços. Imediatamente, uma senhora que vendia frutas ali perto a alertou em voz baixa:
— Moça, eu aconselho a não se meter. Gente assim tem de sobra por aqui. Se você tentar levá-la, só vai arrumar problemas sérios para si mesma!
— Por quê?
— Ah, eles são só ferramentas de ganhar dinheiro! Tenho uma barraca aqui há dez anos, já vi de tudo. Você não vai conseguir ajudá-la. Logo você vai ver.
Não importava o que dissessem, Helena tiraria Bianca dali naquele dia.
E, como previsto, ela mal caminhou dez metros antes de ser cercada por um grupo de homens truculentos.
— Coloque-a no chão! — rosnou o líder.

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